André Dusek/Estadão
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Bendine descarta 'politização' sobre redução de preços de combustíveis

Executivo afirma, em e-mail enviado ao presidente do conselho da estatal, que não há posição definida sobre reajuste e que eventual redução seria para 'atender aos interesses da Petrobrás'

Mônica Ciarelli, Antonio Pita, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2016 | 17h15

RIO - Em resposta à reação negativa de conselheiros de administração da Petrobrás a uma eventual redução dos preços de gasolina e diesel, o presidente da estatal, Aldemir Bendine, encaminhou e-mail ao presidente do conselho, Nelson Carvalho, descartando "politização" do tema. Na mensagem, obtida pelo Broadcast, serviço de informações da Agência Estado, o executivo indica que não há posição definida sobre o reajuste e ressalta que o objetivo da medida seria "atender exclusivamente aos interesses da Petrobrás".

"É dever desta diretoria monitorar permanentemente a composição de todos os nossos custos e também o comportamento do mercado. São estes os fatores que norteiam nossa política de preços. Não há qualquer tipo de politização deste tema", escreveu Bendine no email encaminhado nesta tarde a Nelson Carvalho.

A mensagem buscava reduzir a tensão entre conselheiros e diretoria da estatal, após as notícias indicando a decisão dos diretores pelo reajuste de preços de combustíveis. Carvalho teria se posicionado contra a decisão e mobilizado, no fim de semana, outros integrantes do colegiado contra o ajuste de preços, questionando o impacto sobre a "credibilidade" da companhia junto ao mercado.

"Estamos todos aqui, diretores e conselheiros, com o objetivo de atender única e exclusivamente os interesses da Petrobras", reforçou Bendine no email. "Não houve qualquer decisão tomada no sentido de ajustar preços", reforça o executivo.

Bendine explica ainda que o debate sobre o reajuste de preços surgiu em função da "retração no mercado consumidor". Na mensagem, o executivo cita os dados de vendas de janeiro e fevereiro deste ano, com queda nas vendas de 10% em comparação com 2015, quando a BR Distribuidora já havia registrado queda de 9% nas vendas.

"A retração do mercado consumidor causou o debate se a redução nos preços poderia influenciar na contenção dessas perdas. Não houve qualquer avanço além disso -- apenas um debate sobre a elasticidade do mercado neste momento e seus efeitos na nossa estratégia de preços e nos nossos resultados", conclui Bendine.

A decisão final sobre o reajuste de preços cabe à diretoria da Petrobras. Mas os conselheiros avaliaram que deveriam ter sido consultados se a decisão teria impacto sobre a estratégia de longo prazo da companhia, focada na recuperação de credibilidade junto ao mercado. "A Petrobras, em função de seu caixa, tem que maximizar o retorno com seus produtos. Esta é a filosofia e recomendação do conselho", disse um conselheiro hoje ao Broadcast.

De acordo com o Centro Brasileiro de Infra Estrutura (Cbie), a Petrobras vende gasolina a preços 17,7% mais caros que no mercado internacional, tendo o Golfo do México como referência. No Diesel, a variação estava em 60% na última semana. O prêmio com as vendas visa a recuperação de caixa da empresa, após uma perda de cerca de R$ 80 bilhões durante quatro anos de preços artificialmente mais baixos que o mercado internacional.

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