Beneficência muda nome e quer virar polo de saúde

Antiga Beneficência Portuguesa, agora BP, volta a operar no azul,reestrutura seus três hospitais e busca atrair mais pacientes de alta renda

Cátia Luz e Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

14 Novembro 2016 | 06h00


Um ano após conseguir voltar a operar no azul, a Beneficência Portuguesa de São Paulo, dona de três hospitais, concluiu no mês passado um processo de reposicionamento de sua marca e de suas operações. O grupo hospitalar passou a se chamar BP e quer se apresentar de forma mais clara como um polo de referência em saúde.

O lucro só veio, porém, em 2015, quando a empresa teve ganho de R$ 28,2 milhões e o faturamento atingiu R$ 1,05 bilhão. Para este ano, a expectativa é de um lucro de R$ 51 milhões e de uma receita de R$ 1,2 bilhão. Do total de receitas, 87% dos pagamentos são provenientes de atendimentos a convênios e consultas particulares, enquanto os 13% restantes são do Sistema Único de Saúde (SUS).

O endividamento da BP, de R$ 100 milhões, se concentra quase todo no Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social. Nos últimos três anos, a BP fez investimentos com capital próprio da ordem de R$100 milhões por ano. E em reposicionamento da marca, o investimento previsto para os próximos três anos é de R$ 40 milhões por ano. Para os próximos dez anos, outros R$ 750 milhões deverão ser investidos em expansão.

A BP vai continuar a ser uma instituição de caráter filantrópico – o que garante acesso a benefícios fiscais. Não pretende, como outras redes que mudaram seu estatuto, como foi o caso do Samaritano, atrair investidores privados. “Queremos continuar como instituição privada que pratica filantropia.”

No entanto, Denise percebeu que seria possível separar mais claramente o atendimento ao sistema público e ao cliente privado e ganhar valor com isso.

O Hospital Santo Antônio, na zona leste de São Paulo, é totalmente dedicado ao SUS. Já a unidade São José, referência em tratamento de oncologia, dedica-se completamente ao atendimento privado. Na unidade São Joaquim, o grupo dividiu suas torres de forma a garantir que os pacientes que buscam atendimento privados entrem por uma nova recepção.

Ainda dentro da reestruturação, a BP passou a dividir as unidades por divisões negócios, como atendimento clínico e ambulatorial, medicina diagnóstica e educação e pesquisa. Também fez parcerias – a mais recente foi com o Laboratório Fleury, que responderá pelos exames.

“Embora sejamos referência de atendimento, somos muito comparados e queremos nos destacar pela qualidade e atrair pacientes de outros hospitais de referência.”

Denise Santos

PRESIDENTE DA BENEFICÊNCIA PORTUGUESA, QUE AGORA

ADOTARÁ A MARCA BP

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