'Benevolência' eleitoral anima empresários

'Benevolência' eleitoral anima empresários

Análise:

Renata Veríssimo, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2010 | 00h00

Convencidos de que a valorização do real ante o dólar é um problema sem solução no curto prazo, os exportadores buscam alternativas para melhorar a competitividade dos seus produtos. A devolução mais rápida de créditos tributários é uma antiga reivindicação do setor, que nunca foi atendida não só por questões fiscais, mas também pela demora da Receita em apurar a veracidade dos créditos declarados. Com a promessa feita em janeiro pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e contando com a "benevolência" dos governos em ano eleitoral, os exportadores voltaram a ter esperança de uma solução para os créditos de PIS e Cofins. Ainda ficaria para trás uma saída para os de ICMS, nas mãos dos Estados.

Mas, nos últimos dias, os empresários receberam sinal do Ministério da Fazenda de que a medida ficará fora do pacote preparado para o setor. Além do câmbio, problema anterior à crise global, os exportadores brasileiros enfrentam o acirramento da competição. Na crise, a demanda internacional encolheu e ainda não mostra o vigor de antes. Vários setores brasileiros estão perdendo mercado para produtos chineses, sobretudo na América Latina.

Com isso, o Brasil amargou no ano passado forte queda nas exportações depois de anos de crescimento. Ao assumir o governo, Lula recebeu um saldo de vendas externas em torno de US$ 60 bilhões, comemorou com champanhe Cristal a marca dos US$ 100 bilhões, e atingiu quase US$ 200 bilhões em 2008. Para 2010, a estimativa do Ministério do Desenvolvimento é que somem US$ 168 bilhões.

Certos segmentos, como de algumas commodities, têm conseguido compensar a queda nas vendas com o aumento dos preços internacionais. Outros, como de automóveis e bens de capital, de alto valor agregado, ainda não recuperaram mercados. Por isso, competitividade é o requisito determinante.

JORNALISTA DO "ESTADO"

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