Bens de consumo duráveis lideram importações em janeiro

Média de compra por dia útil cresceu 92,4% em relação ao mesmo mês do ano passado

Marcelo Rehder, O Estadao de S.Paulo

23 de fevereiro de 2008 | 00h00

Embora as importações bens de capital tenham sido as que mais contribuíram em valores para acelerar as compras externas do País, os bens de consumo duráveis foram os que mais cresceram em termos porcentuais neste início de ano. Segundo levantamento do Instituto de Estudos Para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), a média das compras externas por dia útil desses produtos deu um salto de 92,4% em janeiro em relação ao mesmo mês de 2007. O aumento dessas importações foi generalizado, mas a de automóveis de passageiros foi especial. Seu crescimento chegou a 217%, atingindo US$ 325 milhões no mês passado e respondendo por 6,1% do aumento das importações totais do País.Segundo o Iedi, também apresentaram forte crescimento as importações de máquinas e aparelhos domésticos e de móveis, que aumentaram 78% e 69,2%, respectivamente."Parte do boom de importações desses bens pode ser explicada pela recomposição de estoques no varejo, após as vendas de fim de ano", diz o economista Júlio Sérgio Gomes de Almeida, do Iedi.Entre os bens de consumo não-duráveis, os produtos alimentícios se destacaram. As importações desses produtos cresceram 40,9% em janeiro, enquanto a elevação média na categoria ficou em 14,9%.A importação de matérias-primas e produtos intermediários também apresentou, neste início de ano, um aumento muito acima do registrado no ano passado. Em janeiro, chegou a 52,7% ante janeiro de 2007, enquanto no ano passado foi de 31,2%. "O forte crescimento em bens intermediários é indicador de nível de atividade, que a julgar pelas importações pode ter se acelerado neste início do ano", diz Gomes de Almeida.Maior exportadora brasileira de equipamentos para transmissão e distribuição de energia, a Cerâmica Santa Terezinha está deixando cada vez mais de comprar componentes produzidos localmente para trazer similares de fora do País. O objetivo é compensar parte dos efeitos negativos do câmbio desfavorável às exportações.Segundo Humberto Barbato, presidente da Santa Terezinha, a empresa importa US$ 1,5 milhão ao ano em eletroferragens chinesas, insumo mais caro usado na fabricação de isoladores elétricos de cerâmica, que chega a representar 30% do custo total de produção.O levantamento do Iedi mostra ainda que o crescimento da importação de combustíveis e lubrificantes foi "anormalmente baixa" em janeiro. Cresceu só 8,7%, enquanto em 2007 o aumento chegou a 32,05%.

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