Bens e serviços aumentam participação no PIB

A participação das exportações de bens e serviços dentro do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro bateu o recorde desde 1991. A fatia do setor externo brasileiro representou 18% da riqueza nacional no primeiro semestre, quase o dobro do peso em 1999 (9,6%), ano da mudança do regime cambial. A expectativa de economistas é de que este peso relativo deverá fechar o ano ao redor de 19%, bem acima também de todo o ano passado (16,9%).Os dados foram calculados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a pedido do Estado. O forte desempenho do setor externo do País, principalmente a partir da desvalorização do real, em janeiro de 1999, explica este avanço. Nos anos anteriores a esta desvalorização, marcados por importações mais fortes, a fatia das exportações no PIB estava na faixa dos 7,5%, a cada primeiro semestre. De 2000 em diante, a participação ultrapassou o patamar de 10% e vem crescendo nos últimos três anos.O economista da LCA Consultores, Bráulio Borges, explica que o crescimento real das exportações e bens e serviços foi de 15,5% em 2003. Não fosse isso, o PIB teria sofrido uma queda muito pior do que a registrada no ano passado (-0,2%). Isso porque o consumo das famílias caiu 3,3% e os investimentos, -5,5%. Além dos investimentos, consumo das famílias e exportações, o PIB (pelo lado da demanda) também é composto pelo consumo do governo e importações.No primeiro semestre deste ano, as exportações avançaram 17,8%. Desta vez, contudo, o consumo das famílias reagiu (crescimento de 3,1%) e os investimentos também (6,8%), principalmente no segundo trimestre, e reforçou o crescimento da economia, que foi de 4,2%. Nos cálculos das contas nacionais, o IBGE leva em conta as exportações de produtos, captados pela balança comercial, mais as vendas externas de serviços (relativamente baixas no país).Consumo - Ainda assim, a participação do consumo das famílias dentro do PIB foi de 55,6% no primeiro semestre deste ano, mais baixa desde 2001 (61,5%). Isso porque sucessivas quedas reduziram o patamar dos gastos das famílias. Depois de alcançar 64,2% em 1997, esta participação vem caindo, principalmente por conta da perda de poder de compra do brasileiro, diz Borges. Entre 1997 e 2003, o rendimento do trabalho acumula queda real de 18,8%. Num movimento oposto, as exportações e avançam e poderão fechar o ano representando 19% do PIB brasileiro, estima o economista.Apesar do crescimento da fatia das exportações, a taxa brasileira é inferior a de outros países, conforme levantamento feito pela LCA Consultores. Alguns países têm as seguintes fatia de exportações com relação ao PIB: França (27%), Espanha (28%), Chile (29,2%), além dos asiáticos, cujas taxas são ainda maiores, como Coréia do Sul (33,6%) e Taiwan (49,4%). Em comum, alguns países asiáticos desenvolveram estratégias fortemente exportadores e trabalham com um câmbio favorável. Para outras nações, a fatia é inferior à brasileira, caso dos Estados Unidos (6,4%) e Japão (10,1%).

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