Bens estrangeiros não devem ser confiscados na Bolívia

Jornais bolivianos destacaram nesta quarta-feira, em suas edições na internet, que a nacionalização do gás terá sete medidas básicas, segundo o vice-presidente da Bolívia, Álvaro Garcia. Nenhuma delas prevê desapropriação ou confisco de bens das empresas estrangeiras em operação no país, entre elas a estatal brasileira Petrobras.As medidas mais drásticas são "castigar todas as empresas que tenham se comportado mal e que não tenham cumprido com seus deveres com o Estado" e controlar uma maior porcentagem das ações das empresas privatizadas a partir de 1996, como disse Garcia, que chegou a citar, neste caso, as companhias Andina, Chaco e Transredes, de acordo com informações veiculadas pelos jornais La Razón e Jornada.Na segunda-feira, o presidente Evo Morales anunciou que a nacionalização será concretizada até 12 de julho. Mas as bases do projeto de nacionalização ainda estão sendo discutidas por uma comissão de técnicos do Ministério de Energia.O banco de investimentos Merril Lynch divulgou hoje um relatório dizendo que ainda é difícil avaliar os impactos econômicos da nacionalização do gás na Bolívia sem conhecer detalhes do projeto. Felipe Leal, analista do banco, considera, porém, que mesmo no pior cenário, que seria o de o governo retomar tudo, desapropriando as empresas estrangeiras em operação no país, o prejuízo para a Petrobras não seria grande, já que sua produção na Bolívia corresponde a apenas 2,4% do seu total.Já o peso da estatal brasileira para a economia boliviana é inversamente proporcional: a Petrobras é hoje a maior empresa da Bolívia, onde já investiu mais de US$ 1,5 bilhão nos últimos 12 anos.

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