Berço e boa mesa, as armas de Olavo

Missão diplomática o aproxima da biografia do tio Joaquim, o Baby, que trouxe para o Brasil multinacionais como VW e Peugeot

Alexandre Rodrigues, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2010 | 00h00

A prefeitura carioca criou a Rio Negócios em maio à imagem e semelhança da Think London, agência que prospecta investimentos para a capital inglesa, sede da Olimpíada de 2012. "Vamos além dos incentivos fiscais, que nem sempre são determinantes para atrair um investimento", diz Marcelo Haddad, diretor-executivo da agência.

Desde que as favelas nas encostas de Santa Teresa começaram a aparecer nos cantos da vista da propriedade dos Monteiro de Carvalho, Olavo mantém programas sociais nas comunidades vizinhas. Mas percebeu que poderia contribuir para alterar a realidade da cidade se ajudasse a fazer as coisas acontecerem.

Olavo se mostra cada vez mais à vontade na missão diplomática pelo Rio, que o aproxima mais da biografia do tio, Joaquim Francisco Monteiro de Carvalho, o Baby, de quem herdou a cadeira principal da Monteiro Aranha.

Morto em 2008 aos 95 anos, Baby virou uma lenda da alta sociedade carioca não só pelo charme e fofocas familiares, mas sobretudo por ter se tornado um dos brasileiros mais bem relacionados no exterior.

Associados à empresa da família, ele trouxe para o Brasil grupos como Volkswagen, Alstom, Chandon e Peugeot. Ajudou a família Klabin a iniciar a indústria de celulose, cuja fatia de 20% ainda é o principal ativo da Monteiro Aranha.

Olavo ganhou o ar cosmopolita de Baby nas temporadas no exterior, entre elas a de Munique, na Alemanha, onde cursou engenharia mecânica. Além do alemão, fala inglês, francês e espanhol, mas passa longe do ar solene. Divorciado e pai de quatro filhas, é falante e brincalhão. Não desgruda do Blackberry, dispensa formalidades até dos empregados e tem sempre histórias para contar. Boa parte da desenvoltura, admite, ganhou na boemia da zona sul carioca.

"Sempre tentaram colar nele o rótulo de playboy, mas Olavo nunca foi ocioso. Chegou a trabalhar nas linhas da Volkswagen, na Alemanha. É fruto da atmosfera extremamente educada de sua família, é transparente e tem a simplicidade de quem não precisa provar nada", defende José Luiz Alquéres, ex-presidente da Light, que o sucedeu na ACRJ em 2009. Os dois estudaram juntos no Colégio Santo Inácio.

"Olavo é, antes de mais nada, um cavalheiro", diz Maria Sílvia Bastos Marques, presidente da Icatu Seguros, que foi vice-presidente da ACRJ no segundo mandato de Olavo. Agora, ela integra o conselho da Rio Negócios sob a liderança do amigo. "Além de qualidades, tem uma cadeia de relacionamentos ímpar."

Eduardo Paes diz ter convidado Olavo porque viu no seu prestígio um diferencial para o Rio.

"É um dos grandes nomes da cidade e sabe conviver. Até pouco tempo o Rio não tratava bem quem queria investir, não era nada business friendly. Vimos que é preciso fazer o social e o Olavo faz muito bem", elogia o prefeito. / COLABOROU IRANY TEREZA

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