Bernanke alivia preocupações sobre aperto monetário

O chairman do Federal Reserve, Ben Bernanke, disse ao Congresso nesta quarta-feira que o fraco mercado de trabalho e a inflação contida permitirão que o banco central norte-americano mantenha o juro baixo por um longo período.

PEDRO DA COSTA E MARK FELSENTHAL, REUTERS

24 de fevereiro de 2010 | 16h56

Na primeira aparição no Congresso após a tumultuada votação que o confirmou por mais um mandato, Bernanke ofereceu uma avaliação relativamente sombria sobre a economia norte-americana, apesar de sinais recentes de crescimento.

O país perdeu 8,4 milhões de empregos em pouco mais de dois anos, com a mais severa recessão desde a Grande Depressão. O chairman do Fed disse que as perdas de vagas estão diminuindo, mas reconheceu o peso da recessão sobre os trabalhadores.

"Apesar dos sinais positivos, o mercado de trabalho continua bem fraco", afirmou Bernanke ao Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Deputados.

Bernanke acrescentou que o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) está preparado para continuar dando suporte à economia por meio de medidas de estímulos extraordinárias por algum tempo.

"O Fomc continua antecipando que as condições econômicas --incluindo baixas taxas de utilização da capacidade, tendência de inflação contida e expectativas inflacionárias estáveis-- devem permitir os níveis excepcionalmente baixos das taxas de juros por um período prolongado", disse ele, repetindo o comunicado da última reunião do Fed.

POLÍTICA FISCAL

O mercado imobiliário, em que se espera aumento dos defaults neste ano, também continua sendo um foco importante de preocupação. Para Bernanke, este é "o maior problema de crédito que já tivemos".

Parlamentares de ambos os partidos utilizaram a audiência para discutir o contínio cabo-de-guerra do Congresso sobre o déficit orçamentário. O presidente do comitê, Barney Frank, argumentou que as medidas de estímulos fiscais aprovadas pelos democratas têm ajudado a diminuir algumas das perdas de emprego.

Republicanos, por sua vez, queriam a avaliação de Bernanke sobre as implicações no longo prazo do "rombo" nas contas do governo --que, para Bernanke, não são sustentáveis.

Embora tenha dito que não acredita que o rating dos EUA será rebaixado, Bernanke alertou que as preocupações no mercado de bônus sobre a dívida pública podem mandar os juros para o alto e acrescentou que há também uma chance, ainda que pequena, de uma queda acentuada do dólar.

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