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Bernanke: ''Crise nos fez agressivos com os bancos''

''Não estamos dispostos a dar muito espaço para as instituições'', diz presidente do Federal Reserve em audiência no Senado

, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2011 | 00h00

WASHINGTON

"A crise financeira nos ensinou a ser mais agressivos com os grandes bancos", disse o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, durante uma audiência com o Comitê Bancário do Senado.

Em resposta ao senador republicano Richard Shelby, um dos integrantes do comitê, que o questionou sobre quais foram as lições trazidas pela crise financeira, Bernanke disse: "A importância de sermos muito agressivos é não estarmos dispostos a permitir muito espaço para os bancos, especialmente quando estão desalinhados em áreas como a de gerenciamento de risco".

A audiência com o Comitê Bancário tem como tema a implementação da lei de reforma financeira dos EUA aprovada em julho do ano passado, conhecida como Dodd-Frank. Bernanke disse que levará algum tempo até que todas as regras dessa legislação sejam implementadas.

Segundo ele, a negociação com agências reguladoras estrangeiras está atrasando o processo. Ele comentou que identificar as instituições financeiras grandes o suficiente para ameaçarem a economia caso entrem em colapso é um processo difícil para as autoridades. "Você não quer ser arbitrário", afirmou, acrescentando que os reguladores estavam tentando traçar definições claras sobre o assunto.

Débitos. O presidente do Fed disse ainda não ter certeza se será eficaz isentar os pequenos bancos de uma proposta que prevê a imposição de limites sobre as taxas que as instituições financeiras e operadoras de cartões cobram de comerciantes para processar operações de débito. "É possível que a isenção não seja eficaz no mercado", disse Bernanke aos senadores.

Segundo a lei de reforma financeira dos EUA, bancos com menos de US$ 10 bilhões em ativos não seriam submetidos ao limite para as taxas de débito.

Algumas dessas instituições argumentam que, se cobrarem taxas mais altas que as dos grandes bancos, os comerciantes passarão a discriminar seus cartões. Bernanke reconheceu essa possibilidade e disse que "é possível os comerciantes rejeitarem os cartões de bancos menores".

China. Bernanke disse também aos senadores que a China "fará o que for necessário para manter a taxa de câmbio no nível desejado" e que não considera as vendas de Treasuries (títulos do Tesouro dos EUA) pelo país uma ameaça à economia americana.

Um dos integrantes do comitê perguntou a Bernanke se ele considerava a venda de US$ 15 bilhões em Treasuries pela China entre novembro e dezembro um risco sistêmico à economia do país. O presidente do Fed disse que, na verdade, os desequilíbrios comerciais com a China apresentavam ameaças não só para os EUA, mas para a economia mundial. Esses mesmos desequilíbrios também contribuíram para a crise financeira de 2008 e 2009, acrescentou.

Segundo Bernanke, o que determina quantos ativos em dólar a China vai comprar ou vender é a necessidade de controle do valor da moeda local. / DOW JONES NEWSWIRES

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