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Bernanke defende afrouxamento do Federal Reserve no G-20

Críticos dizem que a frouxa política monetária do Fed está provocando inflação e bolhas de ativos no exterior

Danielle Chaves e Regina Cardeal, da Agência Estado,

18 de fevereiro de 2011 | 12h40

O presidente do Fed, Ben Bernanke, se defendeu dos críticos que dizem que a frouxa política monetária do Fed está provocando inflação e bolhas de ativos no exterior. O restante do mundo tem interesse na recuperação da economia dos EUA que a política do Fed está gerando, disse, enquanto líderes de Finanças do G-20 se reúnem, em Paris.

Em texto preparado para uma conferência de bancos centrais na capital francesa, O presidente do Fed afirmou que formadores de política no exterior têm vários instrumentos para combater a inflação e as bolhas de ativos sozinhos, incluindo permitir que suas taxas de câmbio se ajustem para cima, para evitar um superaquecimento. Além disso, Bernanke disse que o crescimento das economias emergentes, provocado em parte pelas políticas econômicas dos próprios países, está causando problemas nos EUA.

Ele disse que as economias em desenvolvimento em rápido crescimento podem usar "ajustes do câmbio, políticas fiscais e monetárias e medidas macroprudenciais" para desacelerar suas economias.

A referência ao câmbio parece direcionada à China, embora Bernanke não tenha citado nominalmente o país. Ele disse que os países com grandes desequilíbrios comerciais precisam "permitir que suas taxas de câmbio reflitam melhor os fundamentos do mercado e aumentem seus esforços para substituir a demanda doméstica por exportações". As informações são da Dow Jones.

Europa contribui para crise

O presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, ofereceu uma interpretação atualizada da crise financeira, incluindo a Europa entre os que contribuíram para os problemas. Bernanke mostrou uma análise de como a forte demanda de investidores estrangeiros pelo que pareciam ser ativos norte-americanos seguros ajudou a provocar a crise.

Em texto preparado para uma conferência de bancos centrais em Paris, Bernanke destacou que as principais causas da recessão surgiram nos próprios EUA: o fraco desempenho do sistema financeiro do país e a regulamentação frouxa. No entanto, a nova interpretação se concentra em como a compra de papéis com rating AAA ajudou a manter baixas as taxas de juros, contribuindo para o excessivo apetite por risco e os grandes empréstimos que estiveram por trás da bolha imobiliária.

O documento de 38 páginas mostra que, assim como tradicionais poupadores globais da Ásia - principalmente a China - e exportadores de petróleo do Oriente Médio, a Europa também teve um grande apetite por Treasuries e bônus de agências, que são seguros e líquidos, em meados dos anos 2000.

No entanto, investidores europeus compraram uma faixa mais ampla de títulos dos EUA. Além disso, diferentemente da Ásia e do Oriente Médio - que financiaram suas compras com seus grandes superávits comerciais -, a Europa tinha uma conta corrente equilibrada e por isso teve de emitir dívida para financiar as compras.

Ao mesmo tempo que buscou uma faixa mais ampla de ativos, os investidores europeus continuaram colocando alto valor em segurança. Isso criou fortes incentivos para "engenheiros financeiros dos EUA" desenvolverem produtos de investimento que transformaram empréstimos arriscados em títulos com rating alto, como os ativos lastreados em hipotecas, segundo o documento de Bernanke.

"O subsequente estouro da bolha imobiliária e o reconhecimento de que muitos desses títulos eram bem menos seguros do que anteriormente se pensava ajudaram a provocar a crise financeira", conclui o documento. As informações são da Dow Jones.

 

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