Bernanke deveria se inspirar no BC do Brasil, diz jornal

O jornal francês Le Monde traz na sua edição de hoje elogio ao Banco Central do Brasil e sugere que o presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Ben Bernanke, inspire-se na política monetária brasileira. "O Brasil aumentou a sua taxa básica de juro no dia 4 de junho, de 11,75% para 12,25% ao ano. A expectativa é de que a inflação chegue a 5,1% em 2008. Esta política de taxas de juros reais elevadas saneou a economia: o Brasil tem uma taxa de poupança que é o dobro da dos americanos, o déficit do balanço de pagamentos é moderado e os brasileiros consomem menos e poupam mais. A taxa de crescimento deverá ultrapassar 4% este ano. Ben Bernanke, o presidente do Fed, deveria se inspirar na política monetária brasileira", diz o Le Monde.Segundo o diário francês, o elevado nível de taxas de juros brasileiras de curto prazo serviram durante muito tempo para bancar investimentos numa economia de riscos. Mas este não é mais o caso. "A dívida externa do Brasil é menos da metade do PIB, as contas correntes estão próximas ao equilíbrio e o déficit público é baixo, ainda que os juros altos aumentem a dívida do governo." O Le Monde destaca que, após a nota de grau de investimento concedida pela Standard & Poor''s, o Brasil não faz mais parte dos países de risco. Os bônus do Tesouro brasileiro, cita o jornal, têm uma remuneração que não chega a 1 ponto porcentual a mais do que os títulos norte-americanos equivalentes.De acordo com o Le Monde, os Estados Unidos estampam um déficit excessivo no balanço de pagamentos, o dólar está fraco e a taxa de poupança americana é baixa. O governo está mergulhado em déficits, mesmo quando consegue manter o crescimento. "Uma política monetária à brasileira poderia remediar estes problemas", afirma o Le Monde.

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