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Bernanke é confirmado para substituir Greenspan

O Senado dos Estados Unidos confirmou hoje Ben Bernanke como sucessor de Alan Greenspan à frente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), cargo que o novo presidente da entidade assumirá amanhã mesmo.O sinal verde do Senado era dado como certo, uma vez que Bernanke, um economista de 52 anos e de grande reputação nos EUA, tinha ganho o apoio dos partidos democrata e republicano. Bernanke, tomará posse do cargo numa cerimônia privada na sede do Fed, em Washington, nesta quarta-feiraBernanke é um acadêmico formado nas melhores universidades, republicano e leal a seus padrinhos. Como novo comandante da política monetária dos Estados Unidos, Bernanke passará a ser, de acordo com muitos, o segundo homem mais importante do país.O primeiro, George W. Bush, desaparecerá da cena política em 2008, mas o novo presidente do Fed pode ter um impacto na economia do país durante décadas, já que pode ser reeleito a cada quatro anos até sua aposentadoria, como aconteceu com Greenspan.Desde junho, Bernanke, casado e pai de dois filhos, era o principal assessor econômico do presidente. "Bush tende a escolher pessoas que tenham a mesma ideologia que ele", disse à EFE Joshua Stiles, do instituto de pesquisa de Wall Street IdeaGlobal. "Bernanke é muito leal e republicano", acrescentou.Suas qualificações acadêmicas são impecáveis. No entanto, apesar de ter vivido quase toda sua vida na Torre de Marfim das universidades mais famosas do país, ele também é capaz de traduzir a linguagem técnica das curvas, dos juros e das margens para um idioma compreensível para as outras pessoas.Indicação de BushSem dúvida essa qualidade é apreciada por Bush, que nomeou Bernanke em 2002 para o Comitê de Mercado Aberto do Fed. Esse é o órgão que estabelece a política monetária do país e que foi presidido por mais de 18 anos por Greenspan, que se aposentará hoje. Em 2005, Bush nomeou Bernanke presidente do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca (CEA, na sigla em inglês), com a idéia de torná-lo presidente do Fed, segundo Brian Bethune, economista da Global Insight, empresa de consultoria de Wall Street.De acordo com o especialista, esse cargo foi um teste para que Bernanke praticasse sua capacidade de falar em público e entrasse em contato mais direto com os mercados financeiros do que ele tinha em seu posto no Conselho de Governadores da Fed. Outros dizem que, além disso, o cargo na CEA era uma prova de lealdade, antes de Bush propô-lo para o Federal Reserve.AcadêmicoDe fato, Bernanke se imaginou como um acadêmico para a vida inteira, segundo confessou à Assembléia Anual da Associação Econômica dos EUA no começo do ano. Bernanke se formou como o número 1 de sua turma na Universidade de Harvard, em 1975, e imediatamente cursou doutorado no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).Depois, após mais de duas décadas como professor nas mais famosas universidades do país, tornou-se presidente do departamento de economia de Princeton. No entanto, em 2002, ele não resistiu à tentação de parar de falar sobre a política econômica para aplicá-la no Fed.No discurso do início do ano, Bernanke disse que a maior desvantagem de seu novo emprego era ter de usar terno, mas entendia que usar roupa incômoda era uma forma de demonstrar que a pessoa leva seu trabalho a sério. "Minha proposta de os governadores do Fed darem um sinal de seu compromisso com o serviço público usando camisas havaianas e bermudas ainda não foi atendida", disse Bernanke.Sem perfil políticoA proposta pode ter sido um sinal de sua reconhecida falta de experiência política. "Minha experiência política consiste em dois mandatos em uma junta escolar local (da cidade de Montgomery, Nova Jersey), seis anos encarando alguns pais e contribuintes zangados", disse Bernanke.No entanto, essa carência de passado político não é uma desvantagem para o cargo que desempenhará, já que, para o bem do país, o presidente do Fed deve tomar suas decisões de acordo com considerações econômicas, e não com interesses de partido.Bernanke "não é uma dessas pessoas que coloca os cortes fiscais acima de tudo, inclusive em situações de déficit", disse hoje o senador democrata Charles Schumer em uma crítica à política de Bush. Greenspan apoiou esses cortes tributários e, por isso, não é perdoado por muitos, motivo pelo qual não sairá do banco central com uma reputação imaculada.

Agencia Estado,

31 de janeiro de 2006 | 18h11

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