Bernanke: economia norte-americana ainda precisa de juros próximo a zero

Presidente do banco central dos EUA reiterou que o Fed está pronto para agir quando a economia mostrar-se forte o suficiente.

Cynthia Decloedt,

25 de março de 2010 | 11h53

O presidente do Banco Central dos Estados Unidos, Ben Bernanke, disse que taxas de juro excepcionalmente baixas ainda são necessárias para dar suporte à economia norte-americana, mas que o banco central está pronto para apertar o crédito quando for necessário, para evitar a inflação.

 

Ao descrever os passos que o Fed pode tomar para apertar o crédito durante uma sessão do Comitê de Serviços Financeiros da Câmara sobre estratégia de saída e seu efeito na recuperação da economia, Bernanke reiterou que o Fed está pronto para agir quando a economia mostrar-se forte o suficiente.

 

"A economia continua a exigir sustentação das políticas monetárias acomodatícias", afirmou Bernanke, segundo texto preparado para seu depoimento no comitê. "Entretanto, temos trabalhado para garantir que tenhamos os instrumentos para reverter, quando for o momento, o atualmente muito elevado grau de estímulo monetário".

 

O presidente do Federal Reserve acrescentou que o banco central tem "total confiança" de que, quando chegar o momento, estará pronto para evitar o surgimento da inflação.

 

O depoimento de Bernanke estava previsto originalmente para 10 de fevereiro, mas foi adiado em consequência da nevasca que atingiu Washington durante o mês passado. Embora Bernanke não tenha comparecido na Câmara em fevereiro, o texto de seu depoimento foi divulgado na ocasião. O texto divulgado nesta quinta-feira, 25, é semelhante ao anterior.

 

Para combater a pior crise financeira em décadas, o Fed cortou a taxa de juro para próximo de zero em dezembro de 2008 e implementou uma série de programas de empréstimo de emergência e de compra de ativos de longo prazo com intenção de manter as taxas de longo prazo reduzidas. Essas medidas possibilitaram que os bancos acumulassem mais de US$ 1 trilhão em excesso de reservas no Fed.

 

Bernanke afirmou que ao elevar o juro sobre o excesso das reservas, o Fed poderá colocar significante pressão de alta sobre todas as taxas de juro de curto prazo. Taxas mais elevadas pagas sobre o excesso de reservas, um instrumento que o Fed recebeu permissão do Congresso para utilizar em outubro de 2008, incentivam os bancos a manter recursos no Fed ao invés de distribuí-los na economia. Nesse sentido, o Fed teria capacidade para evitar um superaquecimento da economia.

 

Bernanke afirmou que o Fed será capaz de drenar as grandes reservas dos bancos por meio dos acordos de compra reversa e depósitos a termo, ampliando seu controle sobre a economia com o aumento da taxa paga sobre o excesso de reservas.

 

"A utilização dos acordos de compra reserva e das linhas de depósito permitirão ao Fed drenar centenas de bilhões de dólares do sistema bancário rapidamente, caso escolha essa alternativa", disse.

 

Bernanke repetiu que o banco central pretende conduzir testes de transição nesta primavera (no Hemisfério Norte) de depósitos a termos para que a linha esteja pronta em seguida. Nos depósitos a termo os bancos são encorajados a comprometer recursos que estão no banco central por um certo período.

 

Bernanke também reiterou que a elevação da taxa de redesconto há um mês não representa um aperto amplo do crédito para famílias e companhias. Bernanke disse ainda que os instrumentos e sua sequencia de utilização pelo Fed para apertar a política monetária dependerão do comportamento da economia. As informações são da Dow Jones.

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