Bernanke: economia pode se estabilizar no final de 2009

A economia dos EUA terá de enfrentar a perspectiva de mais perdas de empregos nos próximos meses, mas há esperança de estabilização em 2009, afirmou o presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Ben Bernanke, respondendo a perguntas após um discurso na London School of Economics (LSE)."Quando olhamos para frente, há muita incerteza, mas creio que no final de 2009, dependendo de fatores como os mercados financeiro e de crédito, poderemos ter uma certa estabilização na economia", disse Bernanke."Estamos em um estágio muito ruim da contração no que diz respeito aos empregos, e acredito que a fraqueza continuará no primeiro trimestre", afirmou, acrescentando que, depois de qualquer recessão, "leva algum tempo até que o mercado de trabalho se recupere".O mercado de trabalho dos EUA cortou 524 mil vagas em dezembro, segundo o Departamento de Trabalho do país. A taxa de desemprego nos EUA chegou a 7,2% no período, atingindo o nível mais alto desde janeiro de 1993. Ao todo, foram perdidos 2,6 milhões de empregos em 2008, maior corte de vagas desde 1945.Durante o discurso, Bernanke disse que o momento e a força da recuperação econômica global "são altamente incertos". Segundo ele, respostas de políticas coordenadas de governos serão fundamentais para reativar a economia. Ele afirmou que o Fed ainda tem instrumentos de política para combater a crise financeira, embora a meta de sua taxa dos Fed Funds não possa ser reduzida "significativamente mais". Bernanke disse que espera que a inflação se modere mais.O próximo passo na batalha contra a crise no mercado financeiro é tirar os ativos tóxicos dos balanços das instituições financeiras, acrescentou Bernanke, o que pode exigir fundos do governos acima dos US$ 700 bilhões já aprovados pelo Congresso americano. Bernanke disse que há forma de lidar com estes ativos, incluindo a compra pública (como previa o Tarp original) ou, como no caso do Citigroup, com garantias de ativos.Como era esperado, Bernanke abordou a estratégia de saída do Fed de seu afrouxamento não convencional. Ele disse que, à medida que os mercados e a economia se recuperam, os programas de crédito serão parcialmente desativados assim que as taxas cobradas pelo Fed tenham, quando possível, atingido níveis que não serão atraentes em condições normais do mercado. A desativação dos programas representará um aperto monetário, ele afirmou, portanto será determinada pela avaliação das condições do mercado de crédito e da perspectiva econômica que o Fed fará. As informações são da agência Dow Jones.

GUSTAVO NICOLETTA E REGINA CARDEAL, Agencia Estado

13 de janeiro de 2009 | 13h12

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