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Bernanke fala e derruba bolsas; dólar fecha em queda

O alerta feito hoje pelo presidente do banco central dos Estados Unidos (Fed), Ben Bernanke, derrubou as bolsas nos Estados Unidos e prejudicou o desempenho do mercado acionário no Brasil. Bernanke deixou claro que o controle da inflação é a sua principal preocupação. Isso significa que os juros nos estados Unidos podem continuar subindo, o que reduzirá o lucro das empresas.O índice Dow Jones - que mede o desempenho das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em queda de 1,76% e a Nasdaq - bolsa que negocia ações do setor de tecnologia e Internet - fechou em baixa de 2,24%. No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera em baixa de 3,11%, às 17h04.Bernanke disse que a economia dos Estados Unidos está em uma fase de transição. Há elementos que indicam que o crescimento está em uma fase de acomodação, o que não seria um risco para a inflação. Contudo, o presidente do Fed, depois de fazer estas considerações, disse que o controle rigoroso da inflação continua sendo a principal preocupação da autoridade monetária nos Estados Unidos.Ou seja, não está descartada a possibilidade de nova alta dos juros norte-americanos. A taxa está em 5% ao ano e a próxima reunião do Fed está marcada para o dia 29 de junho. Quando os juros nos estados Unidos sobem, a economia de todos os países sofre, porque o mercado consumidor norte-americano fica enfraquecido. Além disso, o lucro das empresas diminuiu, o que tem impacto direto sobre o mercado acionário dos países.Recompra de títulos O mercado cambial, diferentemente da Bolsa, foi influenciado por fatos do mercado interno. O Tesouro Nacional anunciou que recomprará US$ 4 bilhões em títulos, denominados em dólares e euros, com o objetivo de melhorar o perfil dos pagamentos futuros da dívida externa brasileira. Com isso, o dólar fechou em queda de 1,14% na comparação com os últimos negócios de sexta-feira, cotado a R$ 2,2510 na ponta de venda das operações.O fato é que, com a recompra de títulos, o Tesouro garante que o investidor estrangeiro não terá dificuldade para vender os papéis, caso opte por transferir seus recursos para ativos de menor risco. Essa certeza dá mais tranqüilidade ao investidor. Isso reduz a demanda por dólar (ativo mais seguro), o que favoreceu a depreciação da moeda norte-americana frente ao real. Para o risco Brasil - taxa que mede a desconfiança do investidor estrangeiro na capacidade de pagamento da dívida do País - o impacto é direto. Hoje, às 16h50, o risco está em 262 pontos base, em queda de 13 pontos em relação ao fechamento de sexta.

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