Bernanke: Fed está pronto para mais apoio, mas se necessário

O chairman do Federal Reserve (banco central norte-americano), Ben Bernanke, deu poucas indicações novas nesta terça-feira se a autoridade monetária está avançando na direção de uma nova rodada de estímulo monetário, repetindo a promessa de agir se necessário.

PEDRO DA COSTA E MARK FELSENTHAL, Reuters

20 de julho de 2012 | 13h26

Ele afirmou ao Comitê Bancário do Senado que a recuperação do país estava sendo reprimida por condições financeiras apertadas devido à crise da dívida da zona do euro e a incertezas sobre a política fiscal dos Estados Unidos.

Os mercados financeiros estavam ansiosos pelo testemunho de Bernanke em busca de qualquer sinal de que o banco central está avançando na direção de uma terceira rodada de aquisições de títulos, conhecida como "quantitative easing", para dar suporte à economia.

Mas Bernanke decepcionou os investidores, mantendo-se apegado à mensagem de espera cautelosa que o painel de política do banco central apresentou em junho.

"Refletindo preocupações sobre o ritmo lento do avanço na redução do desemprego e os riscos para o crescimento econômico, o comitê deixou claro em sua reunião de junho que está preparado para adotar mais ações", disse Bernanke em declarações preparadas sobre o relatório de política semestral do Fed.

"O mercado estava preparado para algum sinal de iminente ação de política do Fed e eles certamente não fizeram isso", afirmou o chefe de análise de mercado do Commonwealth Foreign Exchange, em Washington, Omer Esiner.

O Fed tem mantido os custos de empréstimos "overnight" perto de zero desde dezembro de 2008 e comprou 2,3 trilhões de dólares em dívidas do governo e relacionadas a hipotecas, em um esforço para reduzir as taxas de juros de longo prazo.

Em meio a problemas de recuperação, o Fed prometeu manter as taxas de juros em níveis bastante baixos até pelo menos 2014, e ampliou o vencimento médio de títulos em seu portfólio em mais um esforço para baixar os custos de empréstimos de longo prazo.

Apesar do suporte do Fed, a economia está crescendo lentamente demais para baixar o desemprego. O Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA expandiu apenas 1,9 por cento no primeiro trimestre na comparação anual, e economistas acreditam que a performance no segundo trimestre foi ainda mais fraca.

Bernanke afirmou às parlamentares que a recente deterioração no mercado de trabalho sugere que a taxa de desemprego de 8,2 por cento do país irá se reduzir gradualmente demais, admitindo pela primeira vez que isso não pode ser explicado apenas através de fatores sazonais.

Durante o segundo trimestre, a criação de empregos foi de em média 75 mil postos por mês, ante média de 226 mil no primeiro trimestre.

Bernanke havia dito anteriormente que o clima quente atípico poderia ter impulsionado as contratações no inverno às custas da primavera, enquanto que a grande queda na produção econômica no inverno de 2008/2009 pode ter afetado os ajustes que o governo faz nos dados para mudanças sazonais normais.

"Questões relacionadas a ajustes sazonais e o clima quente atípico no último inverno podem responder por uma parte, mas apenas uma parte, dessa perda de força na criação de emprego", disse ele.

PROBLEMAS EM CASA E NO EXTERIOR

Em resposta a uma pergunta, Bernanke disse ao painel bancário que a manipulação da taxa de juros global referencial Libor por bancos e operadores afetou a confiança pública em mercados financeiros.

Ele afirmou que o Fed de Nova York respondeu prontamente às preocupações sobre a taxa interbancária ao informar as autoridades apropriadas.

Bernanke repetiu seu alerta às autoridades sobre a importância de desenvolver um plano crível de longo prazo para reduzir o nível da dívida do governo dos EUA enquanto evita fortes cortes de gastos e altas de impostos no curto prazo. Ele destacou as preocupações com um "abismo fiscal" que vai provavelmente deixar a economia em recessão a menos que o Congresso aja.

Além de incertezas relacionadas à política fiscal, a economia está sendo restringida pelo aperto das condições de empréstimos para algumas empresas e consumidores, completou Bernanke.

Ele ainda disse que o Fed permanece em contato com as autoridades europeias, e está concentrado em garantir que o sistema financeiro dos EUA permaneça resiliente a choques financeiros.

"Os mercados financeiros e a economia da Europa permanecem sob significativo estresse, com efeitos de contágio sobre condições financeiras e econômicas no resto do mundo, incluindo os Estados Unidos", disse ele.

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