Bernanke não anuncia novas medidas, mas indica que poderá atuar

Presidente do banco central americano, o Fed, defendeu vigorosamente os benefícios do uso de políticas não-convencionais para impulsionar a economia dos Estados Unidos 

Álvaro Campos e Danielle Chaves, da Agência Estado,

31 de agosto de 2012 | 12h17

JACKSON HOLE - O presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, em seu discurso no simpósio anual em Jackson Hole, apontou repetidamente para a possibilidade de mais ações de estímulo e defendeu vigorosamente os benefícios do uso que o banco central fez no passado de políticas não-convencionais para impulsionar a economia dos Estados Unidos. 

Em uma repetição do comunicado emitido pelo comitê de política monetária do Fed no começo deste mês, Bernanke disse que o Fed "vai fornecer acomodação política adicional conforme o necessário" para promover a recuperação econômica e dar suporte para o mercado de trabalho. A autoridade também destacou as profundas preocupações com o ritmo da recuperação econômica dos Estados Unidos, considerando-a "longe do satisfatório", e citou preocupações com o fraco crescimento do mercado de trabalho do país.

Em análise dos passos dados pelo Fed no passado, incluindo os programas de compra de bônus, Bernanke disse que os esforços do banco central para impulsionar a economia "têm sido e continuam sendo eficientes no fornecimento de acomodação financeira". "Os custos das políticas não-tradicionais, quando avaliadas cuidadosamente, parecem gerenciáveis, o que significa que nós não devemos descartar mais uso de tais políticas se as condições econômicas justificarem isso", declarou Bernanke.

Os programas de compra de bônus do Fed forneceram "suporte significativo" para a economia e não prejudicaram as expectativas de inflação estável, segundo Bernanke. O presidente do Fed respondeu a algumas preocupações frequentes sobre o potencial custo da adoção de mais programas de estímulo, argumentando que nenhuma dessas preocupações parecem ter potencial para contrabalançar os benefícios.

Mercado de trabalho

Os membros do Fed têm indicado que a decisão sobre uma terceira rodada de relaxamento quantitativo (QE3, na sigla em inglês) depende do progresso na redução da taxa de desemprego. "A estagnação do mercado de trabalho, em especial, é uma séria preocupação, em parte porque os níveis persistentemente altos de desemprego vão causar danos estruturais para a nossa economia que podem durar muitos anos."

O presidente do Fed detalhou outros problemas enfrentados pela economia dos Estados Unidos, incluindo o baixo nível de atividade no mercado imobiliário, os orçamentos apertados nos níveis estadual e local e a persistente incerteza sobre a crise na Europa.

A ata da última reunião de política monetária do Fed mostrou que os membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) acreditavam que precisariam fornecer estímulos adicionais para a economia "em breve", a menos que o crescimento se acelerasse substancialmente. Bernanke disse hoje que o Fed ainda tem grandes receios sobre a recuperação econômica, mesmo após uma série de indicadores econômicos recentes, que têm vindo melhor do que o esperado.

A próxima reunião de política monetária do Fed acontece nos dias 12 e 13 de setembro.

Comunicação

Em seu discurso, Bernanke defendeu o uso de ferramentas de comunicação para a política monetária, como por exemplo a promessa do banco central dos EUA de manter a taxa básica de juros em níveis excepcionalmente baixos até pelos menos o fim de 2014.

"Previsões para a taxa de juros que diminuam as expectativas do setor privado em relação à taxa de juros de curto prazo reduzem as taxas de juros de longo prazo, levando a condições financeiras mais acomodatícias. ... É certamente verdade que, ao longo do tempo, investidores e analistas têm adiado consideravelmente a previsão para a data na qual esperam que as taxas de juros comecem a subir; além disso, as expectativas atuais parecem se alinhar muito bem com a previsão do Fomc", comentou Bernanke, se referindo ao Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês).

Mas o presidente do Fed ressaltou que a previsão para os juros baixos até 2014 não é "uma promessa incondicional". "É uma declaração sobre o julgamento coletivo do Fomc sobre o rumo da política monetária que provavelmente se provará apropriado, dados os objetivos do Comitê e suas previsões para a economia".

Compra de bônus

Segundo Bernanke, um estudo mostrou que as duas primeiras rodadas de relaxamento quantitativo impulsionaram o crescimento da economia em quase 3% e ampliaram os empregos no setor privado em mais de 2 milhões.

"Simulações de modelo realizadas pelo Federal Reserve no geral descobriram que os programas de compra de ativos forneceram ajuda significativa para a economia", afirmou Bernanke no pronunciamento.

Bernanke observou que os cálculos sobre os efeitos macroeconômicos dos programas de relaxamento quantitativo precisam ser tratados com cuidado, mas disse que "uma leitura equilibrada das evidências sustenta a conclusão de que as compras de bônus forneceram suporte para a recuperação econômica ao mesmo tempo que mitigaram os riscos deflacionários". As informações são da Dow Jones.

Tudo o que sabemos sobre:
Fedbanco centralBernanke

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.