Shawn Thew/ Efe
Shawn Thew/ Efe

Bernanke não descarta subir juro para evitar bolhas nos EUA

Em audiência no Senado, presidente do BC norte-americano admite que regulação dos bancos teve falhas

Regina Cardeal e Marcílio de Souza, da Agência Estado,

03 de dezembro de 2009 | 13h46

O presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), Ben Bernanke, sinalizou nesta quinta-feira, 3, que não descartaria elevar as taxas de juro para evitar a formação de uma nova bolha de ativos. Ele alertou que, considerando que é muito difícil dizer se os preços dos ativos estão sobrevalorizados, a primeira linha de defesa contra bolhas deve ser forte supervisão para evitar que as firmas financeiras tomem risco excessivo.

 

"Para uma bolha geral, a supervisão e a regulamentação do sistema financeiro é a abordagem mais eficaz" para combater bolhas, disse Bernanke aos senadores do Comitê de Bancos do Senado. Ele acrescentou que: "Eu não descarto usar a política monetária quando necessário se essa situação se tornar preocupante e ameaçar nosso mandato duplo, que é crescimento e inflação".

 

Bernanke disse que o banco central está fazendo o melhor que pode para observar "desalinhamentos nos preços dos ativos nos maiores mercados de crédito e de ações". Ele não acredita que os preços dos ativos nos EUA estejam atualmente sobrevalorizados.

 

Durante a audiência para sua confirmação na presidência da instituição no Senado, Bernanke acrescentou não acreditar que os ativos norte-americanos estão desalinhados e que não cabe ao Fed lidar com bolha de ativos em outros países. A China recentemente acusou os Estados Unidos de alimentar outra bolha com sua política de manutenção das taxas de juro em níveis próximo a zero.

 

Bernanke afirmou que outros países têm seus próprios instrumentos, tais como de política fiscal e monetária, assim como taxas de câmbio flexível, as quais podem utilizar para lidar com problemas de desalinhamento em seus ativos.

 

'Fed não fez trabalho perfeito'

 

Bernanke admitiu ainda que o banco central "certamente" não fez um "trabalho perfeito" na regulação do risco excessivo tomado pelo setor financeiro, uma das causas da crise recente, numa referência aos poderes do Fed para supervisionar os bancos. O presidente do Comitê Bancário do Senado, Christopher Dodd, disse que o Fed deveria dividir a supervisão bancária após ter fracassado em regular adequadamente o setor.

 

Ambas casas do Congresso norte-americano trabalham em legislação para reduzir os poderes do Fed, incluindo uma auditoria das decisões de juro do banco central, menor poder regulatório sobre os bancos e papel reduzido para os bancos privados nas 12 distritais do Fed. Bernanke, que terá seu mandato atual vencido em 31 de janeiro de 2010, defendeu o papel do banco central durante a crise. Bernanke foi nomeado para um segundo mandato pelo presidente dos EUA, Barack Obama, em agosto.

 

Bernanke disse ainda que o Fed precisa ficar pronto para retirar os imensos estímulos adotados para conter a recessão quando for o momento. Ele se declarou confiante em que o banco central tem as ferramentas certas para fazê-lo. "Determinar o momento e o ritmo adequado para a retirada de estímulo vai exigir uma análise e um julgamento cuidadosos." Embora a economia dos EUA esteja se recuperando e os mercados financeiros estejam se estabilizando, Bernanke alertou que a taxa de desemprego deverá continuar elevada por algum tempo.

 

"Seria uma tragédia se, depois de todos os transtornos que os americanos enfrentaram durante os dois últimos anos, nossa nação falhasse em dar os passos necessários para evitar uma nova crise", disse Bernanke. "E, ao seguirmos adiante, precisamos cuidar para que o Fed continue efetivo e independente".

 

Desde o final de 2007, o Fed, sob o comando de Bernanke, usou de medidas extraordinárias para evitar uma nova Grande Depressão, incluindo a ajuda para companhias financeiras. As duas Casas do Congresso têm projetos para reduzir os poderes do Fed, incluindo a auditagem de suas decisões sobre a taxa de juros, o enfraquecimento dos poderes sobre os bancos e a redução do papel de membros do setor bancário privado nos 12 bancos regionais do Fed. As informações são da Dow Jones.

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