Bernanke pede a Congresso que evite o 'abismo fiscal'

Presidente do Fed alerta que, se parlamentares não chegarem a acordo, a economia do país pode voltar à recessão

NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2012 | 02h05

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), Ben Bernanke, pediu ontem aos líderes do Congresso que cheguem a um acordo para evitar o chamado "abismo fiscal" que, para ele, representa uma ameaça substancial podendo arrastar a economia do país de novo à recessão em 2013.

"Seguir adiando essas difíceis decisões apenas prolonga e intensifica as incertezas", assegurou Bernanke durante uma conferência organizada pelo Clube Econômico de Nova York, a primeira desde a reeleição de Barack Obama para a presidência dos Estados Unidos.

O presidente do banco central americano acrescentou que "uma ação firme para estabelecer um caminho estável para a política fiscal em nível federal é "necessária urgentemente para assegurar o crescimento econômico e a estabilidade a longo prazo".

Nesse sentido, pediu ao Congresso e à administração de Barack Obama que protejam a economia do choque de um severo ajuste que levaria ao "abismo fiscal"- uma combinação de aumento de impostos e massivos cortes de gastos que entrará em vigor em janeiro se os parlamentares não chegarem a um acordo para reduzir o déficit a longo prazo.

Juros. Cortar para zero a taxa de juros que o Fed paga aos bancos sobre excedentes de reservas não estimularia muito a economia, disse ainda ontem Bernanke, que evitou descartar essa possibilidade. Cortar a taxa é algo que "consideramos, continuamos a considerar, e eu não descarto como possível ação no futuro", afirmou Bernanke. A taxa paga atualmente pelo Fed sobre excedentes de reservas bancárias é de 0,25%.

O pagamento de juros sobre reservas bancárias é um poder relativamente novo para o Fed. Ao longo dos anos, essa ação geralmente tem sido considerada no contexto de campanhas de aperto monetário. Ao elevar essa taxa, o Fed consegue deixar as reservas bancárias fora da economia e limitar seu potencial de gerar inflação.

Enquanto o mercado de trabalho continua persistentemente fraco e com os níveis baixos de crescimento levando o Fed a providenciar mais estímulos à economia, entretanto, muitos questionam por que o banco central simplesmente não reduz a taxa para zero.

Bernanke concluiu dizendo que é "um cálculo de custo-benefício relativamente pequeno", e que cortar a taxa de juros a zero poderia reduzir os juros de curto prazo em oito ou nove pontos básicos. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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