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Bernanke pediu processo contra AIG para bloquear bônus

O presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Ben Bernanke, apoiou a abertura de um processo judicial para bloquear os pagamentos de bônus de US$ 165 milhões da American International Group (AIG), mas foi impedido por seu conselho legal, de acordo com o texto do discurso lido hoje perante o Comitê de Serviços Financeiros da Câmara.

GUSTAVO NICOLETTA, ANA CONCEIÇÃO E NATHÁLIA FERREIRA, Agencia Estado

24 de março de 2009 | 14h00

Bernanke disse que os advogados estavam preocupados com a lei de Connecticut que poderia permitir que os mesmos executivos, cujos bônus eles tentavam bloquear, recebessem indenizações substanciais do governo. Apesar desse revés, Bernanke afirmou que a equipe do Fed continua revisando as opções para recuperar os pagamentos.

"Minha reação ao tomar conhecimento desses pagamentos específicos foi de que era altamente inapropriado pagar bônus substanciais a empregados da divisão que foi a fonte primária do colapso da AIG", afirmou Bernanke. A AIG recebeu bilhões de dólares em ajuda do governo.

Regulador

O presidente do Fed acredita que o governo dos EUA precisa estabelecer um sistema para lidar com instituições financeiras economicamente significativas que estejam à beira do colapso. Ele afirmou que a experiência do governo no resgate da AIG sugere a necessidade de um único regulador para lidar com "instituições financeiras sistematicamente importantes". Mas Bernanke não afirma se o Fed, o Tesouro, ou alguma outra agência deveriam receber a nova autoridade.

"Se uma agência federal tivesse tais ferramentas em 16 de setembro, elas poderiam ter sido usadas para colocar a AIG sob intervenção, desativá-la gradualmente, proteger os segurados e impor provisões de perdas aos credores e contrapartes, conforme apropriado", relatou Bernanke.

Uma das principais críticas que o Fed tem recebido dos congressistas diz respeito à decisão de pagar bilhões de dólares às contrapartes da AIG e não forçá-las a assumir qualquer perda em suas posições.

Lehman Brothers

O governo dos EUA não queria permitir o colapso do banco de investimentos Lehman Brothers no ano passado, mas não possuía autoridade para intervir, afirmou Ben Bernanke. "(O Lehman) sucumbiu porque não conseguimos encontrar uma solução", disse Bernanke durante a audiência com o Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Representantes norte-americana.

A resposta de Bernanke foi direcionada à deputada democrata Carolyn Maloney, que preside o Comitê Conjunto de Economia do Congresso. Ela pediu ao presidente do Fed e ao secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, qualquer análise que justificasse a decisão do governo de resgatar a seguradora AIG e não resgatar o Lehman Brothers no final de 2008.

Geithner disse que a experiência com a AIG e o Lehman destaca a necessidade de um aumento na autoridade regulatória sobre as grandes empresas do setor financeiro. "Se tivéssemos uma autoridade diferente, faríamos escolhas diferentes".

Frustração e raiva

O secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, disse na audiência que não tinha informações completas sobre os bônus pagos pela AIG até o dia 10 de março. Na semana passada, a notícia de que os executivos da seguradoras receberiam US$ 165 milhões em bônus desencadeou uma onda de revolta no país. "Considero tais pagamentos profundamente perturbadores", afirmou.

O secretário também afirmou que divide com a população norte-americana a frustração com as práticas de pagamentos de bônus da seguradora e disse que a questão do pagamento excessivo vai além da AIG e que o caso denota "falhas mais amplas" do sistema financeiro do país.

"Divido a raiva e a frustração da população, não apenas sobre as práticas de compensação da AIG, mas com o fato de nosso sistema financeiro ter permitido uma escala de tomada de riscos que causou graves danos a todos os norte-americanos", disse. As informações são da Dow Jones.

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