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Bernanke: recessão pode durar, mas bancos sobreviverão

O chairman do Federal Reserve, Ben Bernanke, alertou nesta terça-feira que a "severa" recessão nos Estados Unidos pode durar até o ano que vem, mas sugeriu que os grandes bancos sobreviverão à tempestade sem serem nacionalizados, o que agradou os mercados. Bernanke afirmou que a economia norte-americana corre o risco de entrar em um processo de fraco crescimento e dificuldades no mercado financeiro se o sistema bancário não for estabilizado. "Para romper o ciclo negativo, é essencial que continuemos a complementar o estímulo fiscal com uma forte ação do governo para estabilizar as instituições financeiras e o mercado", disse Bernanke ao Comitê Bancário do Senado. "Se as medidas tomadas pelo governo, pelo Congresso e pelo Federal Reserve forem bem sucedidas em restaurar de alguma forma a estabilidade financeira --e só neste caso, na minha opinião--, há uma chance razoável de que a atual recessão termine em 2009 e que 2010 seja um ano de recuperação", acrescentou. Bernanke mostrou confiança na postura das autoridades de fazer um diagnóstico completo e demorado da saúde dos principais bancos dos Estados Unidos, e prometeu recapitalizá-los se for necessário. "Se eu achasse que os bancos estão irremediavelmente prejudicados, eu pensaria de modo diferente. Mas eu realmente acredito que os nossos maiores bancos têm valores significativos", disse. "Não há compromisso, de maneira nenhuma, de que nunca fecharemos um grande banco. Absolutamente não há. Mas eu acredito que os principais bancos podem ser estabilizados." As declarações do chairman do banco central dos Estados Unidos deram um alívio para as ações norte-americanas, que encerraram a terça-feira em alta de quase 4 por cento. "Os planos do governo e o apoio de Bernanke parecem ter alguma racionalidade, e o mercado está considerando que há alguma coisa aqui que pode funcionar", disse Greg Palmer, diretor de operações com ações da Pacific Crest Securities. TESTE Bernanke disse que os órgãos reguladores dos Estados Unidos estão preparando "testes de estresse" para os maiores bancos do país, com o objetivo de avaliar se eles podem continuar emprestando dinheiro mesmo sob condições inesperadamente tensas. "Queremos assegurar que eles tenham capital de boa qualidade e que uma parcela suficiente do capital seja em ações ordinárias e não em outras formas de capital", afirmou. Os reguladores norte-americanos darão início na quarta-feira a um exame minucioso dos bancos para ver se eles conseguem se manter em um horizonte de dois anos se a economia caminhar para o pior, elevando as perdas com os empréstimos e o desemprego mais do que o esperado atualmente. Se esse teste mostrar que a empresa precisa de mais capital, ela pode primeiramente tentar obtê-lo no setor privado e então procurar ajuda do governo na forma de ações preferenciais que se convertam em ações ordinárias. Quando o Tesouro norte-americano começou a injetar capital nos bancos no ano passado, ele pegou ações preferenciais em vez das ordinárias. Dado o interesse em ações ordinárias, o governo agora está preferindo deixar que as empresas eventualmente convertam ações preferenciais em ordinárias. Fontes disseram à Reuters na segunda-feira que o Citigroup estaria considerando fazer esse movimento e estaria em conversações com o governo para converter 45 bilhões de dólares em ações preferenciais. Bernanke disse que não há uma questão sobre se as empresas passarão ou não nos testes dos reguladores. Os testes são uma forma de avaliar qual o nível e o tipo de capital que cada empresa precisa para manter o fluxo normal de empréstimos. "A proposta do teste é tentar assegurar que mesmo sob um cenário ruim os bancos terão capital o suficiente, incluindo ações ordinárias, para garantir sua obrigação de ser um concessor de empréstimos", disse ele. Bernanke acrescentou que a conversão de ações ocorreria apenas se houver a necessidade de fornecer um colchão contra uma eventual aceleração das perdas dos bancos. Um dos efeitos da conversão das ações é o governo obter o controle da empresa, acabando por nacionalizar os bancos. Os mercados caíram fortemente recentemente devido à preocupação sobre uma eventual nacionalização dos bancos, atingindo os menores patamares em 12 anos. O governo está iniciando a segunda fase de um programa de resgate financeiro de 700 bilhões de dólares para fortalecer as instituições. "Estamos comprometidos em assegurar a viabilidade das maiores instituições financeiras", disse Bernanke. DESACELERAÇÃO GLOBAL AFETA EUA O chairman do Fed alertou que a natureza global da desaceleração econômica mundial pode afetar as exportações norte-americanas e abalar as condições financeiras em um grau maior do que atualmente se espera. A queda nas exportações dos Estados Unidos se juntou à forte retração nos gastos dos consumidores norte-americanos, que acelerou a crise no país. Bernanke disse que o Fed, que cortou os juros para perto de zero, pode manter as taxas excepcionalmente baixas por algum tempo, e prometeu usar "todas as ferramentas disponíveis" para estimular a economia e curar os mercados financeiros.

MARK FELSENTHAL E ALISTER BULL, REUTERS

24 de fevereiro de 2009 | 18h40

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