Bernanke reitera que EUA ainda precisam de juro baixo

A economia dos Estados Unidos ainda precisa de taxas de juros em níveis recorde de baixa por vários meses pelo menos, porque a recuperação deve ser lenta, reiterou o presidente do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano), Ben Bernanke. No segundo dia de seu depoimento semestral ao Congresso sobre política monetária, Bernanke disse ao Comitê de Bancos do Senado que o mercado de trabalho norte-americano deve continuar fraco e a inflação contida nos próximos dois anos. Bernanke usou o mesmo texto apresentado ontem ao Comitê de Serviços Financeiros da Câmara.

REGINA CARDEAL E MARCÍLIO SOUZA, Agencia Estado

25 de fevereiro de 2010 | 12h50

Bernanke disse também que o banco central norte-americano vai examinar as transações com derivativos que o Goldman Sachs e outros bancos dos EUA fizeram com a Grécia, em meio a preocupações de que as instituições financeiras podem ter sido usadas para ajudar o governo grego a esconder sua dívida. "Estamos olhando para uma série de questões relacionadas ao Goldman Sachs e outras companhias e seus acordos de derivativos com a Grécia", disse Bernanke ao Comitê Bancário do Senado, acrescentando que a SEC (comissão norte-americana que lida com valores mobiliários) também explora o assunto.

O presidente do Comitê, Christopher Dodd (democrata de Connecticut), perguntou a Bernanke se os bancos deveriam ser impedidos de usar transações que intencionalmente permitam corridas contra um país. Bernanke disse que operações semelhantes podem ser úteis com proteção, mas acrescentou que "obviamente o uso desses instrumentos de forma a desestabilizar intencionalmente uma companhia ou um país é contraproducente".

Empregos

Bernanke disse na audiência perante o Comitê Bancário do Senado que o mau tempo pode impactar o próximo relatório mensal de empregos, e alertou que a leitura dos números deve ser feita com cautela. O relatório de emprego referente a fevereiro será divulgado em 5 de março. Hoje o Departamento de Trabalho dos EUA informou que o número de trabalhadores norte-americanos que entraram pela primeira vez com pedido de auxílio-desemprego subiu 22 mil, para 496 mil, após ajustes sazonais, na semana até o dia 20. Economistas esperavam queda de 13 mil pedidos e o indicador pesa sobre o mercado de ações.

Bernanke afirmou também que não espera que a inflação irá subir no médio prazo, por causa da capacidade ociosa na economia. "A inflação parece contida e não deverá subir no curto e médio prazo", disse ele. Bernanke repetiu seu alerta de que as taxas de juros nos EUA e o dólar poderão sofrer se o endividamento de longo prazo não for enfrentado. "Não estou esperando nada no curto prazo, mas é possível que isso (a dívida) leve a uma perda de confiança em aspectos da economia norte-americana", afirmou Bernanke. As informações são da Dow Jones.

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