Bernanke será o 1º presidente do Fed a falar após reunião de política monetária

Presidente do BC norte-americano apresentará previsões econômicas e justificará juro baixo

Danielle Chaves, da Agência Estado,

25 de abril de 2011 | 08h32

Na próxima quarta-feira o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, fará algo que nenhum outro líder do banco central dos EUA fez. A autoridade concederá uma entrevista à imprensa logo depois da reunião de política monetária da instituição, na quarta-feira.

Desde que assumiu a presidência do Fed, em 2006, Bernanke tenta tornar o banco central norte-americano mais transparente. A crise financeira global abalou a confiança pública no Fed, a economia norte-americana se recupera de forma desigual desde então e Bernanke enfrenta discordâncias dentro do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc). Além disso, a inflação está subindo, o desemprego permanece alto e o crescimento econômico dos EUA decepcionou no primeiro trimestre deste ano.

Uma das principais tarefas de Bernanke na entrevista de quarta-feira será apresentar as previsões econômicas do Fed e explicar o que justifica uma continuidade da política monetária de taxas de juros muito baixas. Em janeiro o Fed projetou crescimento entre 3,4% e 3,9% na economia dos EUA neste ano e aumento de 1,3% a 1,7% na inflação.

Outro desafio para Bernanke será explicar as diferentes opiniões de seus colegas do Fed. Bernanke, a vice-presidente do banco central, Janet Yellen, e o presidente da regional de Nova York, William Dudley, têm mostrado acreditar que ainda é cedo para começar a elevar os juros. Apesar de a inflação estar subindo, eles afirmam que a alta é um evento temporário.

Por outro lado, Richard Fisher, presidente do Fed de Dallas, tem alertado que os EUA podem enfrentar uma hiperinflação como a vivida pela Alemanha durante a República de Weimar se o Fed financiar a dívida do governo. Thomas Hoenig, do Fed de Kansas City, criticou o programa de compra de Treasuries e há meses pede uma elevação nas taxas de juros. O presidente do Fed de Saint Louis, James Bullard, e o da regional da Filadélfia, Charles Plosser, também têm pedido mudanças nas políticas do Fed.

Há poucas dúvidas sobre o resultado da reunião do Fomc. Provavelmente o banco central vai deixar o programa de compra de bônus do Tesouro, de US$ 600 bilhões, seguir seu curso até junho, como planejado. O debate deverá se concentrar em como e quando começar a elevar as taxas básicas de juros para controlar a inflação. As informações são da Dow Jones.

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