Bernanke sinaliza estímulos, mas Bolsa adota cautela e recua

Cenário:

ANA LUÍSA WESTPHALEN , O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2012 | 03h09

O noticiário internacional comandou os negócios do mercado financeiro doméstico, ontem, com destaque para a carta enviada pelo presidente do banco central dos Estados Unidos, Ben Bernanke, em resposta a questionamentos feitos pelo deputado norte-americano Darrell Issa, chefe do comitê de supervisão da Câmara dos Representantes norte-americana. No documento, ele realimentou as expectativas de medidas de estímulo à economia e injetou otimismo nas bolsas.

Por já estarem perto do fechamento quando a notícia veio a público, os principais índices europeus não tiveram tempo de grandes melhoras e encerraram o dia em direções distintas. As principais bolsas norte-americanas, no entanto, sustentaram altas e contagiaram a Bovespa, que melhorou o desempenho, embora não tenha conseguido firmar os ganhos.

O Ibovespa encerrou a sessão com perda de 0,15%, a 58.425,76 pontos, com os investidores optando por zerar posições e manterem-se cautelosos, diante do fato de que a agenda da próxima semana será farta em eventos importantes no Brasil e no exterior. Um deles, previsto para sexta-feira, dia 31, será o discurso de Bernanke durante o simpósio anual do Federal Reserve em Jackson Hole. Em 2010, Bernanke aproveitou esse evento para preparar o terreno para uma segunda rodada de relaxamento quantitativo e há quem espere uma repetição, agora.

Isso tem potencial para mexer principalmente com o mercado de moedas que, ontem, dividiu-se claramente em dois momentos. De manhã, o dólar subiu ante o real, com aversão ao risco. Isso porque a chanceler alemã Angela Merkel, em seu encontro com o primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, não se comprometeu a fazer concessões à Grécia. O impacto negativo, no entanto, foi amenizado pela renovação dos rumores de que o Banco Central Europeu (BCE) consideraria criar uma meta para as taxas de juros dos bônus soberanos. E, à tarde, a moeda norte-americana perdeu ainda mais fôlego com a carta de Bernanke, visitou o terreno negativo, mas acabou fechando o pregão estável a R$ 2,024 no mercado à vista de balcão.

Já no mercado de juros, ao mesmo tempo em que aumentam as expectativas de recuperação econômica, cresce a preocupação com eventual alta na inflação e os investidores diminuem apostas na continuidade dos cortes da taxa de juro básica, Selic, para além da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da próxima quarta-feira.

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