Bernanke vê mercado sob estresse e perspectiva incerta

O enfraquecido setor imobiliário,problemas no sistema bancário e o elevado preço do petróleoameaçam a economia norte-americana, afirmou nesta terça-feira ochairman do Federal Reserve, Ben Bernanke, enfatizando queestabilizar o mercado financeiro é sua prioridade. O tom de Bernanke foi mais sombrio que o do final de junho,quando ele disse que os riscos ao crescimento tinham diminuídoum pouco. Em depoimento semestral ao Congresso, Bernanke reconheceuque os mercados ficaram mais ansiosos nas últimas semanas,particularmente sobre as condições das agências hipotecáriasFannie Mae e Freddie Mac . Ele destacou que a perspectiva para o crescimento econômicoe para a inflação é incerta. Investidores avaliaram essecomentário como um sinal de que o Fed pode manter o juro pelomenos até agosto e, talvez, até o final do ano. "A possibilidade de preços de energia mais altos, piorescondições de crédito e uma contração ainda maior nos mercadosde moradias representam um risco significativo para asperspectivas de crescimento. Ao mesmo tempo, os riscos de altada inflação se intensificaram recentemente." Bernanke disse que a queda no mercado imobiliário é "aquestão mais crítica e central que enfrentamos". Os comentários chegam apenas dois dias depois que oTesouro, em ação coordenada com o Fed, anunciou medidas paraauxiliar a Fannie Mae e a Freddie Mac, que têm estado sobpressão desde a deterioração do mercado de moradias. Em comentários preparados para o Congresso, o secretário doTesouro, Henry Paulson, disse que as duas agências "representamum potencial risco sistêmico" e instou o Congresso a aprovaruma lei que cria mais regulação. O tom de Bernanke deu pouco conforto aos investidores. Em seu relatório semestral de política monetária, entregueao Congresso, o Fed elevou a projeção de crescimento em 2008para a faixa entre 1,0 e 1,6 por cento, ante estimativaanterior de 0,3 a 1,2 por cento feita em abril, graças àexpectativa de mais gastos do consumidor. Diante dos custos mais altos de energia, o Fed elevou aprevisão de inflação para a faixa entre 3,8 e 4,2 por cento,frente ao prognóstico anterior entre 3,1 e 3,4 por cento. O presidente norte-americano, George W. Bush, afirmou que aeconomia ainda está crescendo, embora tenha admitido a "óbviaincerteza financeira". PRESSÃO O fraco crescimento com inflação em alta tem colocadoBernanke sob pressão. A prescrição usual de política monetáriade aumentar o juro para conter o avanço dos preços pode minar ojá fraco crescimento da atividade. A pressão para que o Fed considere um aumento do juro temcrescido após o corte acumulado de 3,25 pontos percentuais,para 2,0 por cento. Bernanke disse que os esforços do Fed até o momento,incluindo o corte do juro e uma série de medidas para facilitaro crédito, tiveram efeito positivo, mas que a economia aindaenfrenta "numerosas dificuldades".

EMILY KAISER E MARK FELSENTHAL, REUTERS

15 de julho de 2008 | 14h28

Mais conteúdo sobre:
FEDBERNANKECONSOLIDA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.