Bernardo diz que a crise não foi uma 'marolinha'

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse hoje que os efeitos da crise econômica mundial no Brasil foram mais fortes do que a ''marolinha'' prevista pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula fez a afirmação em outubro, ao amenizar os possíveis efeitos da turbulência global no País. Em entrevista exclusiva à Rádio Eldorado, Bernardo disse que a crise trouxe um ''problema grande'' à economia brasileira, mas o País já está pronto para retomar o crescimento. "(A crise) não foi uma marolinha. Ela causou um problema grande, uma perda na economia no último trimestre do ano passado", disse o ministro.

EQUIPE AE, Agencia Estado

12 de junho de 2009 | 19h10

"Tivemos de trabalhar muito, o governo e os agentes econômicos, para superá-la." Paulo Bernardo relativizou, mesmo assim, a gravidade da crise. "Não foi o que se esperava, não houve aquela devastação, não acabou o emprego nem a capacidade produtiva das empresas. Estamos com a economia em pé, com condições de voltar a andar."

O governo trabalha para que o País cresça de 3% a 3,5% neste ano e de 4% a 4,5% em 2010, disse o ministro. Para ele, o fato de o Produto Interno Bruto (PIB) ter caído menos do que o esperado no primeiro trimestre indica que a meta é factível. A queda do PIB foi de 0,8% em relação ao último trimestre de 2008. "Isso abre espaço para que o PIB tenha um desempenho positivo no conjunto do ano." Ele relacionou o desempenho acima do esperado ao crescimento do consumo das famílias.

Juros

Bernardo atribuiu o corte de um ponto porcentual na taxa básica de juros da economia, a Selic, decidida quarta-feira pelo Comitê de Política Monetária (Copom), à segurança em relação ao controle da inflação. "O Banco Central se sentiu confortável para fazer a redução", disse. "Ele está mantendo a inflação controlada e sinalizando uma disposição de flexibilizar a política monetária para ajudar no crescimento econômico."

O ministro reiterou o desejo de que o Congresso vote ainda este ano a proposta de reforma tributária. "Corremos um risco grande se não votarmos", afirmou. Para ele, o ideal seria regulamentar as novas regras em 2010 e implantá-las em 2011. Bernardo afirmou que a reforma vai reduzir o número de alíquotas e simplificar a cobrança de impostos. "Vai haver um espaço grande para desonerar as exportações, investimentos e a cesta de alimentos."

Apesar das sucessivas quedas na cotação do dólar, Bernardo descartou um controle do câmbio por parte do Estado e defendeu medidas de apoio ao setor exportador para mitigar os impactos do real valorizado. "Se nós formos querer determinar uma cotação para o dólar, é muito provável que não consigamos e vamos ter custos fiscais imensos", disse. "Conter a baixa do dólar é praticamente impossível."

Tudo o que sabemos sobre:
Bernardocrise

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.