Bernardo: zerar meta de superávit é hipótese estapafúrdia

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, classificou hoje como "estapafúrdia" a hipótese que circula desde ontem no mercado financeiro de que o governo poderia reduzir a zero a meta de superávit primário das contas públicas. Segundo ele, não há esse tipo de discussão dentro do governo e os números mais recentes do setor público mostram que "não há nada fora do normal" na evolução do superávit primário - a economia que o governo faz para o pagamento de juros da dívida pública.

CÉLIA FROUFE, RENATA VERÍSSIMO E FERNANDO NAKAGAWA, Agencia Estado

30 de junho de 2009 | 15h34

Bernardo afirmou que essa hipótese levantada por algumas pessoas no mercado financeiro pode ter surgido como pretexto para realização de negócios. "Não tem nenhum tipo de precedente que justifique a dúvida. É bom o mercado tomar maracujina", disse. O ministro disse que quando o mercado fica preocupado começa um jogo de apostas onde um lado ganha e outro, perde. "Quando o mercado está nervoso, é bom ficar longe desse negócio".

Questionado sobre a possibilidade de o governo utilizar o Projeto Piloto de Investimentos (PPI) para abater até 0,50% da meta de superávit primário neste ano, o ministro disse que essa é uma "possibilidade que podemos usar". O ministro disse que ainda não é uma discussão dentro do governo a utilização do Fundo Soberano do Brasil (FSB) para cumprir a meta de superávit primário este ano. Ao ser informado de que há técnicos do Ministério da Fazenda que já defendem esta ideia, ele respondeu: "eu não dialogo com técnicos do Ministério da Fazenda. É uma coisa etérea. Esses técnicos têm de falar com o ministro Mantega e ele, certamente, se acatar, vai levar para a reunião que temos com o presidente (Lula) na sexta-feira (da junta orçamentária)", disse Bernardo, ao chegar esta tarde para a reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN).

O CMN decidirá nesta tarde qual o porcentual a ser perseguido pelo BC para a meta de inflação de 2011 e deve ratificar a taxa de 4,5% para 2010. Indagado por jornalistas, a respeito do cumprimento da meta pelo novo governo, o ministro do Planejamento respondeu: "o próximo governo vai fazer o que acha que tem que fazer". Ele acrescentou, porém, que "o próximo governo deve satisfação aos seus eleitores".

A meta de inflação atual é de 4,5% ao ano, porcentual perseguido pelo Banco Central nos últimos quatro anos. Apesar de discussões entre economistas a respeito da possibilidade de revisar esse alvo para baixo, a expectativa é de que a taxa de 4,5% seja mantida na reunião de hoje para 2011.

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