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Bertin desiste de sociedade em Belo Monte

Grupo diz que desistência está associada à estratégia da empresa de focar suas energias na conclusão dos projetos de termoelétricas

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2011 | 00h00

A Gaia Energia, subsidiária do Grupo Bertin, desistiu da sociedade na Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA). A decisão foi tomada na manhã de ontem entre os dirigentes do grupo e os demais participantes do consórcio Norte Energia, detentor da concessão da usina que custará cerca de R$ 25 bilhões e terá potência instalada de 11.233 megawatt (MW).

"Decidimos não exercer a opção dos 9% de participação em Belo Monte", afirmou o diretor presidente da Bertin Energia, José Malta, garantindo que a empresa não terá de pagar multa pela desistência nem terá de vender sua participação no mercado. Ele destaca que o grupo continuará com a participação - mínima - de 1,25% no projeto por meio da construtora Contern.

"Nossa saída não significa que o projeto seja inviável ou ruim. Trata-se de um empreendimento interessante e com elevada geração de caixa, a partir de 2015." De acordo com Malta, a desistência está associada à estratégia da empresa de focar suas energias na conclusão dos projetos de termoelétricas em andamento.

No total, a empresa tem 31 projetos elétricos (28 usinas a óleo e gás natural e três de energia renovável) com potência de 6 mil MW. O volume de investimentos para concluir as unidades é de R$ 7 bilhões até 2014.

Nos últimos dias, no entanto, a empresa virou foco de notícias ao perder o prazo de conclusão de seis termoelétricas movidas a óleo combustível. As usinas deveriam estar em operação desde o fim de janeiro, mas ainda não saíram do papel. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) multou o grupo em R$ 1,2 milhão pelo atraso no cronograma. Mas a empresa recorreu da decisão, alegando que a agência demorou para emitir a outorga dos projetos.

Malta explica ainda que os empreendimentos, comprados de outro grupo, já estavam com atraso quando foram transferidos para o Bertin. Por outro lado, ele afirma que os financiamentos - em especial com os fornecedores de equipamentos - para construir as unidades demoraram mais que o previsto.

"Quando entramos em Belo Monte não imaginávamos que esses empréstimos de longo prazo fossem demorar tanto. Houve um gap de equity", explicou o executivo. Segundo ele, o financiamento para Aratu 1, por exemplo, estava previsto para sair há três meses, mas só ocorreu há duas semanas. É exatamente esse complexo que deveria entrar em operação em janeiro.

Além da multa aplicada pela Aneel, o grupo também foi punido com cerca de R$ 400 milhões que deveriam ser depositados como garantia na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). "Estamos tentando resolver essa questão na Aneel. Se tivermos reconhecimento da agência para extensão de alguns meses do cronograma, não teremos de pagar essa punição."

O grupo também terá de ir a mercado para comprar energia e honrar os compromissos do contrato. Malta diz, porém, que isso não é problema, já que a empresa tem uma receita compensatória em casos de atraso, conforme previsto na legislação. "O grupo é muito pé no chão. Não damos um passo maior que a perna. Por isso, decidimos deixar Belo Monte."

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