BES: ações ordinárias poderão se valorizar

A reforma na Lei das S.As. pode trazer uma oportunidade de ganho no curto prazo para os investidores. Apesar de a nova legislação trazer mudanças que serão percebidas só no futuro, ela abre espaço para um benefício imediato por meio da valorização das ações ordinárias (ON, com direito a voto), em relação às ações preferenciais (PN, sem direito a voto).O chefe de análise da BES Securities, Rodrigo Pinheiro, afirma que a diferença entre as cotações das duas classes de papéis vai deixar de existir, por conta da alta das ordinárias. Com as mudanças aprovadas na Câmara dos Deputados, as ações com direito a voto se tornaram mais atraentes, segundo o especialista. Ficou determinado que, no caso da venda da companhia, o novo dono terá de fazer aos acionistas minoritários detentores de papéis ON uma oferta que represente 80% do valor pago pelo controle. Esse direito é conhecido como "tag along". Atualmente, as ações preferencias de uma empresa tendem a ter uma cotação mais elevada no mercado. O fato é motivado pela maior negociabilidade. Atualmente, as companhias podem emitir mais ações sem direito a voto (dois terços do capital total), enquanto as ordinárias concentram-se nas mãos dos sócios controladores. O próximo passo para a efetivação das mudanças é a aprovação do texto da lei no Senado e, em seguida, a sanção pelo presidente da República.Investimento deve migrar para ações ordináriasCom a nova lei, Pinheiro acredita que a diferença de preços entre os dois tipos de papéis deixará de existir, pois o acesso ao prêmio pelo controle torna as aplicações em ON mais interessantes. Para ele, os investidores migrarão das preferenciais para as ordinárias. Esse movimento de reorganização, diz o chefe de análise da BES, é que vai fazer com que o preço das ações ordinárias pelo menos alcance o das ações preferenciais e corrija a folga existente.A BES levantou diversas oportunidades na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) para aproveitar este cenário. As apostas destacadas por Pinheiro foram concentradas em duas empresas: Embraer ON, que está 17,26% mais barata do que a PN, e Tele Celular Sul ON, com diferença de 20% para a PN. O cálculo foi feito com base no fechamento das cotações de quinta-feira.Outras diferenças expressivas que também estão presentes na análise da BES são Acesita (13,40%), Copel (8,24%), Banco do Brasil (10,83%) e Telemar (15,36%). Os analistas lembram que as chances de valorização das ON aumentam quando se trata de companhias com perspectivas de privatização ou venda de controle, pois se intensificam as expectativas de uma suposta oferta.

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