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BES tem prejuízo de 3,577 bi de euros no 1o semestre, com fortes provisões

O Banco Espírito Santo (BES) teve prejuízo recorde de 3,577 bilhões de euros no primeiro semestre, afetado por enormes provisões que a nova direção contabilizou frente à exposição às holdings da família Espírito Santo, que entraram em default.

REUTERS

30 de julho de 2014 | 20h45

O maior banco privado português em ativos, liderado por Vítor Bento há duas semanas, adiantou que registou perdas contábeis e contingências da ordem de 4,253 bilhões de euros.

O banco destacou que "o Conselho de Administração acredita que o reforço realizado fortalece o balanço, cria condições para a recuperação econômica do Grupo e mitigará futuros impactos da revisão da qualidade dos ativos em curso".

O BES afirmou que os resultados foram "significativamente influenciados" pela constituição de provisões devido à exposição a empresas do Grupo Espírito Santo (GES), para anular juros irrecuperáveis sobre crédito concedido no BES Angola e constituição de provisões para contingências fiscais na filial.

O agravamento do risco da carteira de crédito também pesou, assim como o reconhecimento da perda contábil na participação na Portugal Telecom e contingências sobre dívida emitida.

O Banco de Portugal tem reiterado que a solvência do BES está assegurada, mesmo que o atual colchão de capital de 2,1 bilhões de euros seja insuficiente, pois há agentes privados que querem entrar num aumento de capital.

Segundo o BES, "o Conselho de Administração está empenhado em apurar todos os fatos que conduziram à necessidade de proceder a este conjunto adicional de provisões e propõe-se a adotar todas medidas ao seu alcance para recuperar os montantes máximos possíveis dos créditos provisionados".

Na semana passada, três holdings da família Espírito Santo, que é maior acionista do BES com 20 por cento do capital, pediram recuperação judicial no tribunal de comércio do Luxemburgo por serem incapazes de pagarem suas dívidas.

O tribunal já aceitou que a Espírito Santo International (ESI), a Rio Forte Investments e a Espírito Santo Financial Group (ESFG) tenham um regime de gestão controlada para evitar vendas descontroladas de ativos.

A ESI tem 100 por cento da Rio Forte, a holding que tem ativos não-financeiros como hotéis e hospitais, e também 49,2 por cento da ESFG, detentora da participação da família no BES.

Os problemas do ramo não-financeiro do GES começaram a ganhar visibilidade pública em junho, quando foi divulgado que uma auditoria detectou irregularidades graves na ESI, a holding familiar que está próxima do topo do GES.

(Por Sérgio Gonçalves)

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