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Besi: déficit reforça previsão de meta não cumprida

O economista-sênior do Espírito Santo Investment Bank (Besi Brasil), Flávio Serrano, juntou-se a outros analistas na previsão de que o governo não vai cumprir a meta deste ano de superávit primário de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) devido ao surpreendente déficit divulgado nesta quinta-feira, 31.

RENAN CARREIRA, Agencia Estado

31 de outubro de 2013 | 14h40

O Tesouro Nacional informou que as contas do governo central - que engloba Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência - apresentaram em setembro um déficit de R$ 10,473 bilhões, o pior resultado desde dezembro de 2008, quando foi de R$ 19,994 bilhões. Também foi o pior setembro em 17 anos. É o segundo mês consecutivo com o pior resultado para o mês da série histórica.

"O resultado é muito ruim. A gente sabe que setembro costuma ser um dos piores meses do ano, mas foi muito pior do que o imaginado", disse Serrano. Estimativas com analistas de mercado feitas pelo AE Projeções iam de um déficit de R$ 4,8 bilhões a um superávit de R$ 2 bilhões. "A previsão mais pessimista ficou R$ 6 bilhões distante do dado."

Para o economista, o resultado aponta para uma dinâmica de gastos bastante adversa e que tem influenciado a dinâmica inflacionária. "Além disso, o aumento do gasto público foi para despesas de custeio, não de capital, ou seja, não é gasto que vai se traduzir lá na frente em aumento de investimento."

Serrano ironizou o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, que afirmou que o resultado primário do governo central em setembro pode ser explicado por "algumas especificidades". "É curioso: quando o governo tem um resultado ruim, fala em especificidades; quando entrega resultado bom, é fruto de boa execução fiscal, quando, na verdade, advém de receitas extraordinárias."

O economista afirmou que o governo pode chegar perto da meta de superávit primário este ano com os R$ 15 bilhões de bônus de assinatura com o leilão do Campo de Libra, na Bacia de Santos, e mais de R$ 5 bilhões a R$ 10 bilhões com outras receitas, como antecipação de dividendos e Refis, além do possível uso do Fundo Soberano.

"Mas isso vai significar que o governo teve um compromisso fiscal ao longo do ano? Claro que não. O resultado até agora do resultado primário está muito aquém do que deveria, e isso com receitas infladas." Serrano disse o governo dificilmente vai cumprir a meta em 2014, "a não ser com mais maquiagem". O Besi Brasil preferiu não informar suas projeções porque vai revisá-las após os dados surpreendentes divulgados nesta quinta-feira.

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