BG e Repsol confirmam que Guará supera potencial estimado

Poço de petróleo localizado na Bacia de Santos deve alcançar produção de 120 mil barris por dia em três anos

Hélio Barboza, da Agência Estado,

09 de setembro de 2009 | 09h13

A companhia petrolífera britânica BG Group e a espanhola Repsol YPF, sócias da Petrobrás na exploração do poço de Guará, na Bacia de Santos, confirmaram nesta quarta-feira, 9, o anúncio feito nesta última terça-feira, 8, pela estatal brasileira de que a reserva tem potencial de produção maior do que o estimado inicialmente. A BG e a Repsol informaram que a meta de produção inicial é de 120 mil barris/dia, a ser alcançada num prazo de dois a três anos.

 

No fato relevante divulgado nesta última terça-feira, a Petrobrás disse que durante o teste foram constatadas vazões da ordem de 7 mil barris por dia, limitadas à capacidade dos equipamentos do teste. Pelas estimativas da companhia, a produção inicial do poço é de cerca de 50 mil barris de óleo por dia. O volume de óleo recuperável foi estimado na faixa de 1,1 bilhão a 2 bilhões de barris de óleo leve e gás natural, números confirmados pela BG e pela Repsol.

 

A meta de produção inicial informada nesta quarta-feira pela BG é 20% maior dos que os 100 mil barris/dia estimados pela companhia britânica em julho. Às 7h35 (de Brasília), as ações da companhia apresentavam alta de 3,62% na Bolsa de Londres, cotadas a 1.093,18 pence. No mesmo horário, as ações da Repsol subiam 2,02%, para 17,42 euros, na Bolsa de Madri.

 

As três empresas acertaram um prazo para a instalação de uma plataforma flutuante em Guará, disseram a BG e a Repsol. "Os parceiros estão plenamente alinhados com a continuação do trabalho para acelerar a avaliação completa e o desenvolvimento destes recursos", afirmou o presidente da companhia britânica, Frank Chapman.

 

"Com as atividades planejadas e em andamento (nos campos de) Tupi, Abaré Oeste, Corcovado, Iracema, Iara, Carioca e Parati, está claro que o pré-sal da Bacia de Santos terá uma contribuição muito positiva para a produção e o fluxo de caixa da BG Group por muitos anos à frente", acrescentou.

 

O analista Richard Griffith, da corretora Evolution Securities, disse que a notícia é positiva para a BG e para a Repsol, mas observou que o real valor da produção do campo ainda não está claro. O dado sobre as novas reservas é maior do que as estimativas anteriores, de 1 bilhão de barris de petróleo equivalente, mas a faixa ampla com que o dado foi apresentado e a falta de informações sobre os aspectos financeiros da produção do campo dificultam a avaliação, afirmou. De acordo com o analista, as novas estimativas para o poço de Guará podem acrescentar de 30 a 60 pence ao valor de cada ação da BG.

 

Em Madri, o presidente da Repsol YPF, Antonio Brufau, disse a uma rádio local que o potencial de produção demonstrado pelos testes de produção em Guará surpreendeu a todos "de uma forma muito positiva". "As reservas que podem existir lá superam em muito nossas estimativas iniciais", declarou. Ele afirmou que o pré-sal da Bacia de Santos tem potencial para produzir petróleo por 30 anos.

 

O bloco BM-S-9, onde se encontra o poço Guará, contém ainda o poço Carioca, mas a Petrobrás ainda não apresentou uma estimativa oficial para as reservas neste poço. Em fevereiro, a Repsol havia declarado que todo o bloco BM-S-9 poderia conter reservas de 6 bilhões de barris de petróleo equivalente. A Petrobrás é a operadora do bloco, com participação de 45%. BG e Repsol integram o consórcio de exploração com participações de 30% e 25%, respectivamente. As informações são da Dow Jones.

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