Biaggi:biocombustíveis deverão ser englobados pela ANP

O governo federal pretende centralizar as questões do setor de biocombustíveis em um departamento próprio dentro da Agência Nacional do Petróleo (ANP). A informação é do usineiro Maurílio Biaggi Filho, presidente do Grupo Maubisa. Segundo ele, as discussões estão adiantadas neste sentido e devem ser definidas em breve. "Estamos discutindo com o governo várias possibilidades de como reunir todas as questões dos biocombustíveis em apenas um lugar e a inclusão do segmento dentro da infra-estrutura já existente da ANP parece a alternativa que melhor se enquadra dentro dos objetivos tanto do setor como do governo", disse.Em sua apresentação na Enerbio, Biaggi não poupou críticas à atuação da Petrobras em relação aos biocombustíveis, principalmente o etanol. "É uma empresa de petróleo e não está preparada para lidar com o etanol sem ver o combustível renovável como um concorrente", afirma.Segundo Biaggi, relatório recente da empresa apontava que o consumo de álcool apenas iria superar o de gasolina no Brasil em 2050. "É um absurdo. Esta ultrapassagem deve acontecer em cerca de dois a três anos no máximo". O usineiro disse também que teve acesso a projetos da Petrobras para introduzir a utilização de diesel em veículos leves. "Se isto acontecer, vai mostrar outra falta de senso da empresa. O Brasil não precisa de diesel em veículos leves principalmente contando com o etanol combustível", afirma.Biaggi disse também que a produção de etanol combustível brasileiro deve ter seu escoamento concentrado no mercado interno. "O Brasil vai ter que atender o crescente mercado interno e ele vai atender com sobra. Por exemplo, todos estes investimentos estrangeiros que estão sendo feitos no País ainda não geraram uma só gota de etanol. Mas devem começar a operar a partir de 2009, trazendo mais volume para o País". Ele acredita que o mercado exportador de etanol apenas se abrirá para o Brasil quando os Estados Unidos atingirem seu limite de produção de etanol de milho. "Quando eles não puderem mais produzir etanol de milho, farão acordos comerciais para comprar o produto brasileiro e aí as vendas brasileiras para o exterior irão deslanchar", acredita.

EDUARDO MAGOSSI, Agencia Estado

10 de outubro de 2007 | 17h02

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