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BID alerta sobre "perigos ocultos" na economia chinesa

Especialista do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) alerta sobre os "perigos ocultos" na economia chinesa para os países da América Latina, principalmente, e para a economia mundial. Não pelos motivos mais temidos, como o seu crescimento expressivo, que está alterando o mapa econômico do planeta - a China já é a sexta maior economia do mundo -, com a possibilidade de superar os Estados Unidos nas próximas três ou quatro décadas, mas pela distorção financeira que está sendo provocada pelas suas estatais, afirma Eduardo Lora, principal assessor do Departamento de Pesquisa do BID."O rápido crescimento da China pode ser interpretado como resultado natural de sua alta taxa de poupança, de investimentos e financiamentos. Mas essa velocidade está fazendo com que o país destine 20% de seu PIB anual em empresas estatais, a maioria das quais ineficiente e inviável em uma economia de mercado", diz Lora, em entrevista concedida à Agência Estado, por telefone, de Washington.Levantamentos mais recentes mostram que o número de empresas públicas chinesas caiu nos últimos anos, passando de 262 mil, em 1997, para 160 mil atualmente. Mas essa queda não se deve apenas ao programa de privatizações do governo chinês, mas também à quebradeira de um bom número delas.Entre 1994 e 2002, por exemplo, pouco mais de 3 mil estatais faliram, deixando um buraco de quase 200 bilhões de yuanes (pouco mais de US$ 20 bilhões) em créditos irrecuperáveis. Nos próximos cinco anos, outras 2,5 mil grandes e pequenas empresas estatais deverão fechar as suas portas, segundo estimativas de bancos privados. As dívidas que elas devem deixar estão calculadas em pelo menos 240 bilhões de yuanes (US$ 24 bilhões)."Ninguém sabe realmente quanto somam essas dívidas, já que as contas das estatais nunca foram claras. Mas estima-se que seja de 20% de tudo que existe depositado no sistema financeiro chinês", explica Lora. De acordo com ele, as estatais chinesas estão absorvendo o grosso do crédito disponível que os bancos oferecem sem atenção suficiente para o risco, graças ao crescimento monetário que gera um aumento anual de 15% ao ano em depósitos bancários.Castelo de cartas"Essa distorção financeira é o calcanhar de Aquiles da economia chinesa", diz. Por esse motivo, alerta o assessor do BID, "os maiores riscos que a China coloca para a economia mundial e, particularmente, para a América Latina, estão na área financeira e não no comércio".Para Lora, a verdadeira influência econômica da China seria sentida se desmoronasse seu "castelo de cartas" financeiro, colocando um fim abrupto em seu crescimento econômico e, talvez, gerando uma súbita depreciação de sua moeda ou na venda colossal de títulos do Tesouro norte-americano e outros papéis nos quais estão investidas consideráveis reservas internacionais do país.De acordo com ele, isso se traduziria numa maior percepção do risco de investir não só na China, mas também em todos os concorrentes daquele país, provocando o caos na troca mundial de bens, capital e tecnologia. "É um cenário que espero que nunca se apresente", afirma. De acordo com ele, uma crise bancária na China provocaria efeitos nefastos na economia mundial. Entretanto, acrescenta Lora, "este cenário é o menos provável". Ele diz que o governo chinês parece estar ciente do problema e já vem tomando medidas para fortalecer seu sistema financeiro.Mas, de uma forma ou outra, a desaceleração da China, cuja economia cresceu 9,5% no primeiro trimestre deste ano e pode alcançar 10% no segundo, provocaria efeitos comerciais profundos em países como o Brasil, afirma Lora, que prefere dizer que as suas opiniões não representam necessariamente as do BID. "No ano passado, as importações chinesas cresceram 30%. Isso significa que a China foi uma das responsáveis pela recuperação dos preços internacionais de muitas commodities", lembra o economista.Ele acredita ainda que a desaceleração no crescimento econômico chinês poderia também reduzir o apetite da China em investir no exterior. "Vale lembrar que só em siderúrgicas os chineses planejam investir US$ 1,5 bilhão no Brasil. Mas um pé no freio desestimularia esses projetos no mercado brasileiro, que é um grande provedor de produtos primários, principalmente", explica o economista. Desempenho que impressionaEm artigo para a revista "BIDAmérica", Lora mostra números e fatos que mostram a impressionante rapidez com a qual a economia chinesa vem se expandindo. "Com seu crescimento econômico de 9,4%, em média, desde 1979, a China está alterando o mapa econômico mundial", diz Lora, acrescentando que o papel da China no comércio internacional é ainda mais impressionante. No último trimestre do ano passado, a China cresceu 9,9%, com o qual encerrou 2003 com uma expansão de 9,1%, a maior desde 1997. Em 2002, o gigante asiático havia crescido 8%. O impressionante crescimento econômico nos últimos anos fez da China o segundo maior consumidor de petróleo do planeta. Recente informe da agência Internacional de Energia (AIE), com sede em Paris, afirma que o crescimento na demanda chinesa de petróleo continua superando qualquer expectativa.Segundo o economista do BID, a economia chinesa está mais integrada no comércio mundial do que a de outros países, como o Brasil, a Índia ou Estados Unidos. "Enquanto que as exportações e importações representam menos de 1/4 do PIB naqueles três países, na China elas (as exportações mais as importações) se aproximam da metade de seu PIB. "De fato, alguns países latino-americanos (Brasil, Argentina e Chile) estão efetivamente se beneficiando da crescente demanda chinesa por produtos agrícolas e matérias-primas", afirma Lora. Ele lembra também que, apesar de a economia chinesa ser ainda fortemente controlada pelo Estado, o país tem se mostrado um ágil assimilador de tecnologias estrangeiras e, desde 2002, tem sido o principal beneficiário do investimento estrangeiro direto no mundo, substituindo os Estados Unidos nessa posição."Em muitos sentidos, a China ainda se assemelha a um país em desenvolvimento. Com uma renda per capita de menos de US$ 1.000 (em termos atuais), ela é mais pobre do que a maioria dos países latino-americanos, e seu nível de desigualdade na distribuição da renda se assemelha ao de muitos desses países." Mas em outras áreas fundamentais, a China parece ser um país desenvolvido, ou pelo menos industrializado.O setor manufatureiro representa mais de 1/3 de sua economia, contra os 20% a 25% típicos de um país em desenvolvimento. Os investimentos e a poupança são quase 40% do PIB, em contraste com os 15% a 20% típicos dos países da América Latina. Uma grande parte dessa poupança é canalizada através de um vasto sistema financeiro que gera crédito o equivalente a 120% do PIB cinco ou seis vezes mais do que normalmente acontece na América Latina.Mas o verdadeiro motor do crescimento da China é sua constante reestruturação econômica. Seu setor mais dinâmico é a indústria, apoiado seja por investimento externo, seja por firmas de propriedade privada nacional. Este setor está continuamente absorvendo trabalhadores que antes estavam empregados na agricultura ou em empresas estatais ineficientes, num processo que multiplicará a produtividade dos trabalhadores chineses por anos a fim.Os setores ineficientes da China ainda empregam cerca de 160 milhões de trabalhadores excedentes, e no próximo quarto de século a população rural poderá reduzir-se em 300 milhões de pessoas. À taxa atual de crescimento, em 25 anos a China terá uma renda per capita que será a metade da dos Estados Unidos (em preços internacionalmente comparáveis).

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