BID anuncia que financiará ´Golfo Verde´ em Minas

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) enviará ao Brasil no máximo em quatro semanas uma missão técnica para examinar como ajudará o Estado de Minas Gerais a ampliar sua participação na produção de etanol, anunciou no último sábado, 24, o presidente da instituição, o colombiano Luís Alberto Moreno. Sem adiantar valores, Moreno disse que a ação do banco visará às áreas de pesquisa, infra-estrutura e, o que considera mais importante no caso do álcool combustível: que se converta em uma commodity. "Isso significa que é preciso aumentar significativamente a produção, coisa que quer fazer o Brasil, o setor privado e o governo federal, através da Petrobras e outras instituições", afirmou. Missões do BID também chegarão ao Distrito Federal e ao Rio de Janeiro provavelmente ainda em abril, para discutir financiamentos na área de segurança e, no caso fluminense, urbanização de favelas e áreas urbanas degradadas."No caso concreto de Minas, que tem uma singular importância, consideramos que o Brasil tem muito para ensinar ao mundo em relação à energia sustentável, em especial energia verde", afirmou. "Minas, que como todos sabemos começou como Minas Gerais, pode converter-se no novo eixo de produção de energia do mundo. É essa a visão que tem o governador Aécio Neves, vamos acompanhá-lo para que crie o Golfo Verde a partir de Minas." Minas e o etanolMoreno falou no início desta tarde, ao fim de uma agenda de três dias de visita à Colômbia dos governadores de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho (PMDB), e do Distrito Federal, José Roberto Arruda (PFL). Os brasileiros foram conhecer projetos de segurança e inclusão social que tiveram apoio do BID e resultaram em significativa queda na criminalidade em algumas regiões do País.Aécio afirmou que a parceria envolverá o Banco do Desenvolvimento do Estado de Minas Gerais e tem como objetivo criar, a partir do Estado, uma "grande base de inteligência do etanol, como existe em relação ao petróleo no Rio de Janeiro". Não quis, contudo, falar em recursos. "É uma fronteira nova que se abre, e nós queremos andar na frente", afirmou. "Minas é o Estado que mais investimento nessa área vem recebendo, queremos construir a inteligência do etanol a partir de Minas Gerais, para aumento de produtividade, para definição de áreas e o próprio mapeamento nacional desta questão. E o BID, através do presidente Moreno, tem demonstrado disposição de ser o principal parceiro do Estado", afirmou, lembrando a necessidade de dinheiro. "O que queremos é, a partir do início desta integração com o BID, construir uma estratégia para transformar Minas na principal base brasileira de formulação de política de etanol."Combate à criminalidadePara o Rio, Cabral Filho demonstrou especial interesse em relação à urbanização. Na última sexta-feira, ele e os outros dois governadores andaram de Metrocable, um teleférico que custou cerca de US$ 30 milhões e tem estações nas comunidades faveladas de Santo Domingo, Andalucia e Popular. Na região, moram cerca de 170 mil pessoas. Ali, a criminalidade desabou desde que ocorreram as intervenções urbanas, que incluíram asfaltamento e construção de escolas e áreas de lazer. O governador demonstrou interesse em, futuramente, instalar um teleférico semelhante na Rocinha. "A idéia da missão do BID é focar no assunto urbanização e segurança pública", disse Cabral Filho. "O BID não financia, por exemplo, compra de armamentos, nem queremos isso. Mas financia projetos urbanísticos e sociais e técnicos voltados para a segurança pública que muito podem contribuir nessas ações do governo do Estado."No último sábado, Aécio, Cabral e Arruda visitaram o município de Caicedo, que já foi destruído quatro vezes pela guerrilha de esquerda. Lá, ganharam chapéus de apanhadores de café, produto da região, que usaram durante a entrevista que deram com Moreno.

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