BID aponta entraves para acordos bilaterais

A "instabilidade" de marcos regulatórios e a dificuldade de alguns países, entre eles o Brasil, de fechar acordos bilaterais para possibilitar novos investimentos, foram os principais entraves apontados nesta quarta-feira, 14, pelo representante do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) na reunião das câmaras de comércio entre os países do Cone Sul, Mauro Marcondes, coordenador do programa IIRSA (Iniciativa de Integração da Infra-estrutura Regional Sul-Americana).No caso específico do Brasil, disse ele, ainda há a necessidade de o governo passar a reconhecer a possibilidade de discutir bilateralmente contratos de empresas estrangeiras que invistam no país e nos vizinhos."O Brasil só concorda em discutir um contrato no âmbito de um organismo do tipo OMC. É preciso que haja uma câmara setorial capaz de resolver questões práticas. Isso desburocratiza o processo e torna o país mais atraente para investidores", comentou em entrevista coletiva após o término do evento, realizado na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ).Segundo ele, a necessidade de criar marcos regulatórios mais sólidos vai exigir esforços de todos os países em conjunto. "Alguns já avançaram muito, como é o caso do Chile e do Peru. O próprio Brasil tem alguns aspectos positivos. Mas se só um fizer e o outro não concordar, de nada adianta", avaliou, lembrando que os investimentos em infra-estrutura pensados para o Cone Sul são "pesados" e vão exigir muito da iniciativa privada."Dar garantir e proteção a esses investidores que vão financiar o desenvolvimento dos países é obrigação dos governos", defendeu, lembrando o exemplo de "sucesso" que pode ser considerado a partir da experiência de privatização do setor de telefonia do Brasil. "O processo de abertura desse setor trouxe os espanhóis, por exemplo, e possibilitou a expansão da telefonia no país", comentou.Na carteira do IIRSA para até 2010, segundo informou Marcondes, estão considerados como prioridade máxima pelo menos 31 projetos, que somam investimentos US$ 6 bilhões. No total, o IIRSA possui em carteira 348 projetos que somam US$ 33 bilhões.

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