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EFE
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BID cria entidade para atuar com setor privado

Nova divisão terá capital de US$ 2 bilhões e unifica atividades antes divididas em quatro corporações distintas; EUA resistiram à proposta

Cláudia Trevisan, Enviada especial

29 de março de 2015 | 19h23

Depois de dois anos de negociação, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) aprovou ontem a criação de uma nova corporação para fazer todas as operações do organismo com o setor privado, que hoje estão divididas em quatro entidades distintas. A medida foi o principal ponto da reunião anual do banco, que acabou neste domingo, 29, em Busan, na Coreia do Sul. O cantor sul-coreano Psy foi a atração da festa de encerramento do encontro.

A nova corporação terá capital de US$ 2,03 bilhões, dos quais US$ 725 milhões virão de recursos do BID. O restante será aportado pelos países-membros durante os próximos dez anos. Com poder de veto na instituição, os Estados Unidos resistiam à proposta, defendida por quase todos os integrantes do BID. 

Isolados, os negociadores americanos forçaram a redução dos valores previstos na proposta original e arrastaram as discussões até o fim da noite de ontem. O acordo só foi fechado por volta das 23h, depois de conversas que começaram pela manhã. O texto final só foi aprovado por volta das 2h da manhã de hoje.

O brasileiro Claudio Puty, secretário para Assuntos Internacionais do Ministério do Planejamento, foi um dos principais líderes das conversas entre os 48 países que integram o BID. “A negociação com os americanos foi muito dura”, afirmou, logo depois de o acordo ter sido fechado.

Com a nova corporação haverá uma separação clara entre os recursos destinados pela entidade a governos e ao setor privado. Existe a expectativa de que a concentração de recursos em uma só instituição tornará sua atuação mais eficiente e ampliará seu poder de alavancagem. 

A nova entidade será criada no âmbito da Corporação Interamericana de Investimentos (CII), que absorverá as outras três “janelas” de relacionamento com as empresas. Atualmente, os EUA detêm 22% de participação na CII. Com a reforma aprovada ontem, a participação cai para 15%.

O projeto foi impulsionado pelo presidente do BID, o colombiano Luis Alberto Moreno. A ideia original era ter uma instituição com capital inicial de US$ 2,7 bilhões, que seria inteiramente fornecido pelos países, sem transferência de recursos do BID. Diante da oposição dos americanos, a proposta foi revisada para uma injeção de recursos novos de US$ 1,5 bilhão e US$ 510 milhões de repasses do banco multilateral, o que diluiria o poder dos americanos para 13%.

Essa era a proposta que estava sobre a mesa no sábado. Os EUA não a aceitaram, apesar de ela contar com apoio de quase todos os integrantes do BID. No fim, os valores foram reduzidos para o total de US$ 2,03 bilhões e o prazo de integralização do capital foi estendido de sete para dez anos.

“Eu acredito que os americanos saem muito desgastados da reunião”, avaliou Puty.

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