BID pode financiar agroenergia no Brasil, diz Rodrigues

O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, afirmou que o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) tem interesse em financiar a construção de um pólo de agroenergia na América Latina e no Brasil. Segundo ele, o Brasil terá o que o BID chama "Bangalore", ou seja, um centro de alta tecnologia, numa referência à cidade de mesmo nome na Índia. No local estarão reunidos instituições de pesquisa em agroenergia, bancos e interessados neste segmento. O governo pretende investir R$10 milhões no centro de alta tecnologia, dos quais, metade este ano e o restante em 2007. Os parceiros serão reunidos ao redor da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Também fará parte do grupo a Itaipu Binacional, o que mostra, segundo o ministro, "a importância da agroenergia para o País". "Nós vamos mudar a estrutura do planeta na área energética", garantiu o ministro, ao participar na noite de ontem da solenidade em comemoração aos 33 anos da Embrapa. Maior loucura coletiva Segundo Rodrigues, "na alvorada do século 21, a humanidade está percebendo que a maior loucura coletiva é ficar dependente de um combustível fóssil que vai terminar um dia, que é mal distribuído no Planeta e que é dominado por poucas empresas". "O império do petróleo ainda vai demorar para chegar ao fim, mas seus alicerces começam a tremer." Rodrigues estimou que 6 milhões de hectares são plantados com cana-de-açúcar hoje no Brasil e que há potencial para plantio de mais 20 milhões de hectares. No caso da soja, a área plantada é de 20 milhões de hectares e esse número pode dobrar. Ainda segundo o ministro, a FAO, órgão das Nações Unidas para alimentação, prevê que, no máximo, em uma década o Brasil será o maior país agrícola do planeta. "Não chegaremos a essa meta com discurso ou só com vontade; isso se faz com eficiência competitiva e com pesquisa e investigação científica", observou. Investimento baixo O ministro disse que o Brasil investe menos do que poderia em pesquisa agrícola e lembrou que, para atrair capital privado para esse item, serão criados fundos específicos e empresas de propósitos específicos. A Embrapa é uma das instituições que podem se beneficiar com essa proposta apresentada pelo ministro.

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