BID quer aumentar recursos para setor privado

O presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Luis Alberto Moreno, afirmou hoje que a instituição pretende ampliar a concessão de empréstimos ao setor privado, que poderiam atingir até 10% do capital do banco. Hoje a modalidade corresponde a apenas 3% do capital."Não somos um banco convencional e nesse sentido temos que encontrar soluções de financiamentos, onde os outros bancos não encontram. Este é o sentido do banco de desenvolvimento", disse. Ele reiterou que a aproximação do banco com a iniciativa privada dará prioridade a projetos de saneamento básico e abastecimento de água.Empréstimo em moeda local Já o primeiro empréstimo do BID em moeda local poderá ser o projeto que vem sendo desenvolvido pelo Ministério do Planejamento para financiar a infra-estrutura básica em pequenos municípios brasileiros. Segundo o ministro Paulo Bernardo, o tema vem sendo discutido nas últimas assembléias de governadores da instituição.O presidente do BID completou que a aprovação da proposta poderá ser efetivada, uma vez que a economia brasileira vem tendo um desempenho exemplar para os demais países da região e deverá receber em doze ou dezoito meses o a classificação de "investment grade" pelas agências de risco. "O programa Procidades poderá ser a primeira modelagem de financiamento do BID em moeda local", acredita Bernardo.Ele ressaltou, porém, que a efetiva liberação de recursos para os projetos ainda dependerá da capacidade de endividamento dos municípios. A aprovação dos projetos pelo Ministério terá que passar pelos critérios de obediência à Lei de Responsabilidade Fiscal e também do Banco Central. "Os municípios mais pobres podem não ser atendidos", informou. Neste caso, de acordo com ele, o Ministério das Cidades já possui orçamento disponível para projetos, incluindo também financiamentos a infra-estrutura, no valor de R$ 1 bilhão.Paulo Bernardo informou que o Brasil possui um volume de projetos já protocolados com o BID, no valor total de US$ 450 milhões. Se forem considerados também os projetos em consulta, o volume chegaria a R$ 1,2 bilhão, envolvendo também propostas apresentadas por alguns municípios. Ele acredita que os financiamentos já aprovados poderão levar seis meses para começar a ser liberados.

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