BID trabalha para aproximar Argentina dos EUA

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) deverá atuar como o principal aliado do governo argentino nas possíveis negociações de um pacote de ajuda financeira do Fundo Monetário Internacional (FMI). A instituição, que trabalha em afinação com o governo americano, colabora com a equipe econômica argentina nos estudos para a pesificação total da economia do país. O BID pode até mesmo adiantar recursos para sustentar a conclusão desse projeto. Na última terça-feira, o uruguaio Enrique Iglesias, presidente do BID, jantou com presidente argentino, Eduardo Duhalde, na Quinta de Olivos, a residência oficial. No dia seguinte participou de reuniões, junto com técnicos da instituição, com os ministros da Economia, Jorge Remes Lenicov, e da Produção, José Ignácio de Mendiguren. Iglesias, entretanto, retornou a Washington preocupado com o agravamento da crise econômica argentina e com a possível explosão da violência, a partir do panelaço marcado para esta sexta-feira. Ainda em Buenos Aires, Iglesias telefonou para o diretor-gerente do FMI, Horst Köehler, e para sua sub, Anne Krueger, para pedir que baixassem o tom das declarações sobre a Argentina. Argumentou que suas observações somente surtiam efeitos contraproducentes, pois provocaram duras reações públicas de autoridades argentinas.Iglesias continuará com os esforços para conseguir a ajuda de outros organismos internacionais e dos países desenvolvidos à Argentina. No início da semana, terá encontros com Köhler e com o presidente do Banco Mundial, James Wolfensohn, para discutir a possibilidade de uma ajuda mais consistente para o país.Conforme comentou o colunista econômico Marcelo Bonelli na edição desta sexta-feira do jornal Clarín, Iglesias desembarcou em Buenos Aires com a missão de colaborar para a solução das crises econômica e política do país. Mas estava investido da posição de virtual enviado dos Estados Unidos. ?Por favor, escute seus conselhos?, teria dito a Duhalde o presidente americano, George W. Bush, durante a última conversa telefônica entre ambos. Em princípio, o BID tenderia a intermediar uma aproximação política entre a Argentina e os Estados Unidos. O objetivo seria a cooperação de Buenos Aires com o governo americano em assuntos de segurança e de estabilidade política na América Latina. Em troca, o governo americano poderia pressionar o Fundo a reduzir seu grau de exigência ao traçar as metas macroeconômicas a serem seguidas pela Argentina.Em sua atuação direta, o BID pode ainda destinar recursos para sustentar a pesificação dos depósitos bancários de acordo com a paridade entre dólar e peso. No ano passado, o BID já deixava clara a sua simpatia com a idéia da eliminação do regime de conversibilidade, vigente na Argentina desde 1991, e pela adoção de processo de pesificação da economia do país. Nesta semana, tornou-se mais clara a colaboração técnica e política da instituição para que o plano do ministro da Economia seja levado adiante. O principal temor da equipe de Remes Lenicov está na possibilidade de o FMI condicionar a ajuda financeira a um ajuste fiscal catastrófico para um país em recessão há quatro anos e com uma taxa de desemprego da ordem de 18,6%. Na avaliação do ministério, as exigências preliminares do Fundo, já dirigidas a Buenos Aires, teriam como consequência a queda de 15% no Produto Interno Bruto (PIB) e a elevação do desemprego a 30% somente neste ano.Leia o especial

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