Susan Walsh/ AP
Susan Walsh/ AP

Biden quer aumentar impostos para financiar pacote de US$ 2 tri em infraestrutura nos EUA

Na contrapartida das receitas, além do aumento da alíquota empresarial (que havia sido baixada de 35% para 21% por Donald Trump em sua reforma tributária de 2017), está prevista a taxação de lucros no exterior de companhias americanas

Mateus Fagundes, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2021 | 08h31

O pacote americano de investimentos de US$ 2 trilhões em infraestrutura, que será detalhado no fim da tarde desta quarta-feira, 31, pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, envolve aumento da carga tributária no país. A proposta abarca, entre outros pontos, uma elevação de 21% para 28% dos impostos corporativos, um tema que tende a ser controverso no Congresso americano. 

Uma versão preliminar do plano foi divulgada a parlamentares no começo da noite de ontem. Os US$ 2 trilhões serão distribuídos em investimentos ao longo de oito anos. Entram no rol, principalmente, a construção de estradas e pontes, a ampliação do acesso à internet banda larga, a criação de linhas de financiamento a carros elétricos e a modernização das redes elétrica e de saneamento básico.

Na contrapartida das receitas, além do aumento da alíquota empresarial (que havia sido baixada de 35% para 21% por Donald Trump em sua reforma tributária de 2017), está prevista a taxação de lucros no exterior de companhias americanas.

E é no ponto do financiamento que as resistências surgem, além da óbvia oposição republicana, de perfil mais fiscalista. Por mais que o governo Biden queira lançar mão novamente de uma manobra parlamentar conhecida como "reconciliação" para passar o plano no Senado com maioria simples (votos de 50 democratas mais o de Minerva da vice-presidente Kamala Harris), há correligionários do presidente que podem travar a proposta ainda na Câmara.

No Senado, as atenções sempre se voltam a Joe Manchin, parlamentar da Virgínia Ocidental que alinha os votos da pauta econômica mais com a oposição republicana do que com as fileiras democratas, embora esteja no partido há décadas. Contudo, na questão de infraestrutura, ele tende a ceder ao governo Biden, uma vez que o tema lhe é caro, como mostrou reportagem da New York Magazine na semana passada.

Na Câmara, cuja maioria governista é um pouco mais folgada (219 a 211), três deputados democratas da ala moderada já verbalizaram que querem fazer ajustes à proposta atual - Tom Suozzi, Bill Pascrell e Josh Gottheimer - por não aceitarem aumento de impostos. Há chance também de que Alexandria Ocasio-Cortez, da esquerda do partido, também crie resistências. A Casa Branca precisa garantir o apoio desses parlamentares para poder garantir o plano sem ter de abrir concessões maiores aos republicanos - e desidratar o pacote trilionário.

"Isso (o pacote de infraestrutura) poderia passar? Mesmo usando a reconciliação pela segunda vez neste ano, seriam necessários todos os democratas para apoiá-la. Isso é possível? Parece um exagero - mas não necessariamente impossível", ponderou, em comentário enviado a clientes, Michael Every, estrategista global do Rabobank. 

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