Bilionário chinês é condenado a 14 anos

Com fortuna de US$ 6,3 bilhões, o homem mais rico da China em 2008 foi condenado por corrupção e uso de informações privilegiadas

Cláudia Trevisan, CORRESPONDENTE / PEQUIM, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2010 | 00h00

Homem mais rico da China em 2008, com uma fortuna avaliada na época em US$ 6,3 bilhões, o empresário Huang Guangyu foi condenado ontem a 14 anos de prisão e pagamento de multa de US$ 88 milhões sob acusação de corrupção, uso de informação privilegiada e realização de transações ilegais.

Huang, de 41 anos, é o fundador e principal acionista de uma das maiores redes de venda de produtos eletrônicos da China, a Gome. O empresário foi preso em novembro de 2008 e se afastou do comando da empresa em janeiro de 2009.

Sua mulher, Du Juan, foi condenada a três anos e meio de prisão e multa de US$ 29 milhões pela acusação de uso de informação privilegiada. A Gome terá de pagar multa de US$ 730 mil por suposto pagamento de propina. A empresa divulgou nota segundo a qual a condenação não afetará sua saúde financeira.

O caso de Huang Guangyu é um dos mais proeminentes dentro da campanha do governo de Pequim contra a corrupção e os laços entre integrantes do Partido Comunista e homens de negócios que prosperaram graças às suas conexões com o poder.

Pelo menos desde 2004 o Partido Comunista reconhece em documentos oficiais que a corrupção generalizada é uma ameaça à sua própria sobrevivência. O alerta foi repetido nesse ano pelo primeiro-ministro da China, Wen Jiabao.

A investigação das atividades de Huang Guangyu atingiu vários dirigentes do Partido Comunista, entre os quais Xu Zhonghen, ex-prefeito de Shenzhen, uma das maiores cidades de Guangdong, província onde o empresário iniciou atividades.

De acordo com a agência oficial de notícias Xinhua, único meio de comunicação autorizado a assistir ao julgamento, Huang Guangyu pagou propinas a integrantes do governo chinês no valor de US$ 668 mil entre 2006 e 2008.

O empresário também teria utilizado informações privilegiadas para manipular cotações das ações de uma de suas empresas, a Beijing Centergate Technologies, o que lhe teria permitido lucrar US$ 45,2 milhões.

Em dezembro do ano passado, no tradicional balanço de fim de ano, a agência Xinhua apresentou casos de dez executivos ou empresários que haviam sido presos ou condenados nos 12 meses anteriores, em uma clara tentativa de promover os esforços do governo de combater a corrupção.

Disputa de facções. Além do fundador da Gome, a lista trazia empresários do setor aéreo, nuclear, de alimentos, de mineração e de seguros. Um deles, Yang Yanming, ex-diretor-geral da Galaxy Securities, foi condenado à morte e executado no dia 8 de dezembro do ano passado pelo desvio e apropriação indevida de US$ 13,9 milhões.

Vários analistas observam que o relacionamento com integrantes do Partido Comunista e do governo é essencial para a prosperidade dos negócios da China. Para eles, Huang Guangyu e outros empresários caíram em desgraça por terem se associado a grupos que perderam o poder em disputas com outros grupos.

"No topo do establishment político da China há várias facções. Ele começou a cultivar a facção A, mas a facção B não gostou e decidiu derrubá-lo", disse à rede BBC Rupert Hoogewerf, que publica o Hurun Report, a lista das pessoas mais ricas da China.

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