Christian Hartmann/Reuters
Christian Hartmann/Reuters

Bilionário francês de mídia e construção é denunciado por contratos na África

Justiça suspeita que concessões portuárias obtidas em Togo e Guiné foram conquistadas por meio de caixa 2, corrupção e tráfico de influência

Andrei Netto, correspondente, O Estado de S.Paulo

25 Abril 2018 | 18h59

PARIS - Um dos maiores empresários de mídia da França, Vincent Bolloré, proprietário de empresas como Vivendi, Canal Plus e Universal Music, além da agência de publicidade Havas, foi detido para investigações e denunciado à Justiça pelo Ministério Público Financeiro da França.

+ Empresário é preso por aliciar nordestinos para trabalho escravo no interior de São Paulo

O bilionário é acusado de corrupção e tráfico de influência por ter supostamente usado suas agências de propaganda para subfaturar campanhas em caixa 2, e com isso obter vantagens na concessão de projetos de infraestrutura em Togo e Guiné, na África.

Bolloré foi detido para prestar depoimentos na terça-feira, 24, por magistrados do Escritório Central contra a Corrupção e as Infrações Financeiras e Fiscais, órgão do MP de Paris que investiga crimes financeiros por cidadãos e empresas francesas na França e no exterior.

Segundo as suspeitas, o grupo publicitário Havas, do qual o bilionário é maior acionista e seu filho, Yannick, é diretor-presidente, teria sido usado para lavar dinheiro do caixa 2, facilitando o esquema ilegal. Além de Bolloré, dois executivos, Gilles Alix, diretor-geral da Bolloré Africa Logistics, e Philippe Dorent, diretor do polo internacional de Havas Paris, também foram detidos e denunciados. Francis Pérez, dirigente da companhia Pefaco, da Espanha, foi liberado.

Os três primeiros respondem a inquérito por corrupção e tráfico de influência em concessões portuárias nos dois países. A investigação remonta a 2010 e ganhou corpo em 2011 e 2013, quando o empresário Jacques Dupuidauby denunciou Bolloré ao juiz de instrução Serge Tournaire, desde então responsável pela apuração.

O esquema incluiria a prestação de contas subfaturada nas campanhas eleitorais de dois candidatos a presidente, Faure Gnassingbé, do Togo, e Alpha Condé, em Guiné, em troca das concessões dos portos de Lomé e de Conakry.

Concessionários dos portos das duas cidades, Nicotrans e Dupuydauby, tiveram seus contratos rompidos em benefício das empresas de Bolloré. Prejudicado, Dupuydauby - já condenado em outro caso por desvio de ativos a três anos e nove meses de prisão - denunciou o caso ao MP.

Graças a uma convenção anticorrupção da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), países signatários podem processar pessoas físicas e jurídicas por corrupção de agentes públicos estrangeiros em caso de contratos internacionais.

Segundo o advogado de defesa de Bolloré, Olivier Baratelli, os contratos foram obtidos graças à expertise das empresas do grupo. "Frente à concorrência exacerbada, foi a experiência do grupo Bolloré, sua rede industrial, sua expertise portuária de mais de 30 anos, sua posição de líder no continente africano e os investimentos importantes que ele realizou (mais de € 2 bilhões em oito anos) que permitiram receber as concessões portuárias, sozinho ou em parceria", afirmou o advogado em nota.

Também em comunicado, o grupo Bolloré afirmou que a empresa "não cometeu irregularidades". "As prestações relativas às faturas foram realizadas com toda a transparência", diz a empresa, que se colocou à disposição da Justiça.

As companhias do Grupo Bolloré reúnem mais de 25% de seus negócios na África, em especial as empresas Bolloré Transport et Logistics.

Mais conteúdo sobre:
Vincent Bolloré corrupção

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.