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Bilionário japonês na internet brasileira

Criador da Rakuten, líder em e-commerce no Japão, quer ganhar mercado no Brasil

LÍLIAN CUNHA, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2012 | 03h11

As meias, o lenço, o relógio e o par de sapatos de couro que Hiroshi Mikitani estava usando ontem, em São Paulo, foram todos comprados pela internet, por meio de seu shopping virtual, o Rakuten. A empresa, criada por ele em 1997, fez do ex-funcionário do banco Mizuho o terceiro homem mais rico do Japão, com uma fortuna pessoal de US$ 6,2 bilhões, segundo a lista mais recente da revista americana 'Forbes'.

"Este terno que estou usando agora não foi comprado pelo Rakuten, mas tenho vários que já comprei. Dá para comprar tudo pelo Rakuten", disse ontem o executivo durante o evento Rakuten Super Expo, que marcou o início oficial da operação no País. A empresa, diz, deixou a fase de testes, iniciada em novembro, para funcionar plenamente, agora com 94 lojistas online. Outros 200 devem começar a operar nas próximas semanas.

"Nosso modelo é diferente. Não somos um site de compras somente", explicou Mikitani. O Rakuten, diz, é um portal no qual qualquer empresa, grande ou pequena, pode vender seus produtos. No Japão, o Rakuten vende tanto para grandes multinacionais, como a Panasonic, quanto para criadores de galinha, que comercializam ovos pelo portal.

A empresa, que abriu capital na Bolsa de Tóquio três anos depois de ser fundada, cobra uma comissão sobre as vendas dos lojistas. "Nosso negócio é proporcionar serviço para os varejistas. Eles são nossos clientes. O consumidor final é um ativo que oferecemos a nossos clientes", disse. No ano passado, as vendas líquidas da Rakuten somaram 379 bilhões de ienes, cerca de US$ 4,6 bilhões, com 9,8% de aumento sobre 2010, basicamente graças às operações fora do Japão.

"Começamos nossa internacionalização em 2088, quando formos para Taiwan", lembra Masatada Kobayashy, diretor executivo da empresa, que agora está em nove países como França, Reino Unido, Alemanha, China e Tailândia. No Brasil, a Rakuten chegou há dez meses, quando fez a aquisição da Ikeda, uma das líderes no mercado nacional em soluções de comércio eletrônico, criada pelo brasileiro Ricardo Ikeda, agora sócio da japonesa em sua operação no Brasil.

"Queremos chegar ao fim do ano com 800 varejistas", diz Ikeda. "Planejávamos já ter alcançado 300 nesse momento, mas tivemos problemas com a integração de nosso sistema com o da nota fiscal eletrônica", explica o empresário.

Novidades. O comércio eletrônico ainda está engatinhando no Brasil, segundo Mikitani. "As pessoas usam a internet para fazer compras por dois motivos. Um deles é a praticidade. O outro é o desejo de encontrar novidades, produtos diferentes. O brasileiro ainda é mais movido por esse segundo motivo", explica ele. Assim, oferecendo todo tipo de produto, ele espera despertar a "curiosidade consumista" do brasileiro e atrair cada vez mais novos lojistas para seu shopping online.

Uma das novidades será lançada até o início da temporada de Natal. São os leitores de e-books Kobo, uma espécie de Kindle da Rakuten. "Estamos em fase de negociação com editoras e varejistas de livros para definir o preço do Kobo", diz Todd Humphrey, vice-presidente de desenvolvimento de negócios. Nos Estados Unidos, o aparelho de leitura Kobo custa, em média US$ 129, preço semelhante ao do rival, também nos EUA.

No Japão, a Rakuten se prepara para entrar no negócio de streaming, para vender filmes pela internet.

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