Nilton Fukuda/Estadão
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Biocombustível demanda R$ 90 bilhões até 2030

Brasil precisará investir para ter etanol, biodisel e biogás suficientes

Broadcast Agro, O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2018 | 05h00

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estima que serão necessários R$ 90 bilhões em investimentos para atender o consumo de biocombustíveis no Brasil até 2030. Etanol, biodiesel e biogás são os principais. Só o etanol demandaria R$ 60 bilhões para elevar a produção dos atuais 32 bilhões de litros para 49 bilhões de litros. Seriam R$ 15 bilhões em 19 novas usinas processadoras de cana-de-açúcar no País, o que não acontece há uma década, além de R$ 8 bilhões para expandir as já existentes. Segundo a EPE, outros R$ 13 bilhões teriam de ser aportados no etanol de segunda geração, normalmente produzido a partir do bagaço ou palha da cana, R$ 5 bilhões em usinas de álcool de milho e outros R$ 4 bilhões no transporte do combustível.

Vegetal. Com demanda crescente pelo aumento da mistura obrigatória ao diesel de 10% para 15% até 2023, o biodiesel necessitaria de R$ 3 bilhões em investimentos, de acordo com a EPE. Para outros produtos além do biocombustível, como farelo e óleo de soja, o aporte total no setor é estimado em R$ 11 bilhões até 2030. O investimento previsto em biogás, fabricado a partir da fermentação, é de R$ 19 bilhões.

Fica Temer. Plinio Nastari, presidente da Datagro Consultoria e membro do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), rasga elogios às políticas para biocombustíveis e para o setor produtor de etanol, os programas Rota 2030 e RenovaBio, do presidente Michel Temer. “Os programas transformados em lei são grandes conquistas do governo Temer, porque fomentam o livre mercado, sem subsídios, sem novos impostos e em defesa de combustíveis renováveis.” 

Pulga. Depois de ver financiamentos de máquinas agrícolas crescerem 20% em 2018, o diretor de Agronegócios do Santander no Brasil, Carlos Aguiar, espera resultado parecido em 2019. “A pulga atrás da orelha é o que vai acontecer com o BNDES”, diz ele, referindo-se à principal fonte de crédito para este tipo de bem e ao fato de o agronegócio ser “o único setor” ainda a pagar juros pré-fixados à instituição. Os demais seguem a Taxa de Longo Prazo (TLP), que oscila conforme a inflação e passou a ser adotada pelo banco em janeiro de 2018. 

Rearranjo. Aguiar diz que não é “saudável” produtores rurais pagarem juros com base na TLP. “O problema do BNDES não é o quanto consegue emprestar, é o subsídio (ao juro)”, diz Aguiar. “Oferecer crédito com juros de mercado ainda não é viável.” Enquanto o BNDES cobra de 7,5% a 9,5% ao ano com amortização em oito anos, bancos teriam de cobrar de 15% a 16% com este prazo, explica. “O risco país precisa cair para o juro de longo prazo cair também.” Ele até considera plausível cortar os subsídios do governo, o que elevaria a taxa de juros, mas insiste em que seja pré-fixada. 

Alternativa. A perspectiva de que o novo governo conceda crédito a juros controlados principalmente aos pequenos e médios agricultores anima Moacir Teixeira, sócio da securitizadora Ecoagro. Para obter recursos, produtores maiores teriam de recorrer ao mercado, sobretudo aos Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), e poderiam encontrar nos referenciados em dólar grande oferta de dinheiro. 

Nas alturas. Se as regras não mudarem, o que seria uma “decepção”, as emissões crescerão 15%, diz Teixeira. “Mas se os CRAs referenciados em dólar forem aprovados, as emissões dobram ou triplicam.” 

Vem de longe. Neste tipo de CRA, o valor do título é calculado na moeda norte-americana, já que a produção a ser financiada pelo investidor estrangeiro é negociada em dólar. Ainda assim, o produtor rural receberá em real, conforme a cotação do dia. O CRA referenciado em dólar é uma demanda antiga do agronegócio, em razão do grande interesse de estrangeiros em investir em projetos referentes à agropecuária brasileira. 

Voa. O Paraná deve exportar 4,9% menos carne de frango neste ano, ante 1,57 milhão de toneladas em 2017, prevê o Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado. Já para 2019, a expectativa é crescer de 4% a 5% nas vendas externas da proteína. A peste suína na China pode contribuir para o cenário mais promissor dos exportadores de carnes do Brasil.

Conectada. De olho no consumidor estrangeiro que compra pela internet, a Seara acaba de lançar dois sites. O Seara International é voltado para o consumidor e o Seara Professional, ao food service. A presidente da companhia, Joanita Karoleski, quer ampliar a visibilidade do produto final já que mais de 50% da produção da empresa é exportada.

 

COLABOROU NAYARA FIGUEIREDO

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