Biocombustível deve registrar crescimento vertiginoso

A demanda por biocombustíveis pode não crescer o suficiente a ponto de prejudicar o mercado de petróleo, mas ainda assim terá um aumento vertiginoso nos próximos anos. Hoje, eles representam cerca de 3% dos quase 3 trilhões de litros de gasolina e diesel consumidos no mundo. Em 15 anos, essa fatia será de no mínimo 12%, podendo chegar a 20%, segundo Weber Amaral, que coordena pesquisas sobre biocombustíveis na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), em Piracicaba, interior de São Paulo.

, O Estadao de S.Paulo

13 de setembro de 2009 | 00h00

A fabricação de motores flex nos Estados Unidos (a maioria a gasolina) e na Europa (onde predomina o diesel), para atender às exigências de redução de poluentes, deve puxar essa demanda. Do lado da oferta, o etanol brasileiro, mais barato e que consome menos energia para ser produzido, terá um papel central.

A área de cana-de-açúcar plantada no Brasil, hoje de 8 milhões de hectares, deve aumentar para 14 milhões em 2019 e para 21 milhões em 2024 , calcula Amaral. Ele afirma que esse aumento não comprometerá a segurança alimentar. "Não é uma área grande", diz o pesquisador. "A soja ocupa entre 21 e 22 milhões de hectares." Tratores movidos a álcool ajudarão a melhorar o balanço energético da produção do etanol brasileiro - que consome uma unidade de energia para cada oito que produz, enquanto nos EUA a proporção é de um para dois.

Amaral acredita que a ênfase agora dada no pré-sal não prejudicará os investimentos em etanol. "O novo investidor, que virá de fora, é educado financeiramente", descreve ele. "Não procura ganho rápido e não coloca todas as fichas no petróleo. Trabalha com o marco regulatório ambiental." Segundo o especialista, esses investidores incluem companhias petrolíferas, como a BP e a Shell, e empresas de biotecnologia. "O petróleo do pré-sal é importante estrategicamente, mas não terá nenhum impacto na expansão do etanol brasileiro."

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