Biodiesel não afeta preços, diz ministro

Distribuidores discordam e dizem que mistura encarece o diesel

Leonardo Goy, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

29 de dezembro de 2007 | 00h00

O ministro interino de Minas e Energia, Nelson Hubner, assegurou ontem que "não existe risco" de faltar biodiesel para suprir a demanda causada pela entrada em vigor, na próxima terça-feira (dia 1º), da lei que determina que todo o diesel vendido no País contenha 2% do combustível produzido a partir de sementes oleaginosas, como mamona, soja ou girassol. "A capacidade instalada é três vezes superior à demanda gerada pela lei", disse Hubner. O ministro acredita ainda que a adição do biodiesel - mais caro que o óleo comum - não irá provocar aumento nos preços, mas o vice-presidente executivo do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), Alísio Vaz, admitiu que haverá impacto. "Sem querer contrariar o ministro, nossa avaliação é de que haverá aumento de 1 a 2 centavos." O repasse, segundo ele, depende da política de cada empresa. As distribuidoras filiadas ao Sindicom detém 85% do mercado de diesel no País. Vaz disse que nos leilões de biodiesel realizados neste mês pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), o litro do produto saiu, em média, por R$ 1,86, uma diferença de cerca de 50 centavos para o preço do diesel comum. Vaz, porém, ratificou a avaliação de Hubner de que não faltará biodiesel. "Nossas associadas têm biodiesel para distribuir a partir de 1º de janeiro." Segundo Hubner, as usinas instaladas no País têm capacidade para produzir 2,5 bilhões de litros por ano, ante uma necessidade, para 2008, de 840 milhões de litros. Ele destacou que as distribuidoras já contrataram 99% do que irão precisar nos próximos seis meses. Pelos cálculos do governo, a adição de 2% de biodiesel terá um efeito positivo na balança comercial de R$ 900 milhões, em 2008, com a redução na importação de diesel. Em 2007, o Brasil importou 7% do diesel comum que consumiu. Pela lei, depois dos 2% a partir de janeiro de 2008, postos e distribuidoras terão de aumentar a mistura para 5% em 2013.

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