Biosev suspende abertura de capital

Preço da ação chegou a ser reduzido 21% em relação ao piso, mas não houve demanda

ALINE BRONZATI , EDUARDO MAGOSSI , O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2012 | 03h05

A Biosev, braço sucroenergético da trading francesa Louis Dreyfus Commodities, adiou por tempo indeterminado a sua oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) após reunião do conselho de administração realizada na quarta-feira. A 'Agência Estado' havia antecipado que a transação poderia não ser concluída por falta de demanda dos investidores.

Segundo uma fonte, o preço dos papéis da Biosev chegou a ser rebaixado para R$ 13 - cifra 21% inferior ao piso da faixa inicialmente sugerida, de R$ 16,50 a R$ 20,50. A justificativa da Biosev para a postergação do IPO foram as "incertezas no mercado financeiro". "Foi feito um roadshow pelo Brasil, Europa e Estados Unidos. Estamos confiantes de que quando o cenário econômico se restabelecer, novas oportunidades surgirão para a concretização do IPO", afirmou, por meio de nota, o presidente do conselho da Biosev, Kenneth Geld.

Recuo. Com a desistência da Biosev, sobe para cinco o número de empresas que já recuaram na tentativa de estrear na BM&FBovespa em 2012: Brasil Travel, Seabras, Isolux e CVC.

Ontem, a Transmissora Aliança de Energia Elétrica (Taesa) fez sua oferta na Bolsa de valores e levantou R$ 1,755 bilhão.

Caso o IPO da Biosev não seja concretizado ainda neste ano, a empresa terá de pensar em uma alternativa para encerrar o entrave existente com os acionistas que vieram da Santelisa Vale (SEV), como a família Biagi, empresa da qual foram originadas a maior parte das usinas que estão hoje na antiga LDC-Sev.

Um acordo prevê que, se a empresa não conseguisse abrir capital até meados de 2012,ela seria obrigada a recomprar suas ações, que representam cerca de 35% da estrutura acionária da Biosev, conforme dizem fontes.

Em entrevista recente à Agência Estado, Kenneth Geld, que é também presidente do conselho deliberativo da Louis Dreyfus Commodities, admitiu que a companhia tinha até este ano para abrir o seu capital, porque neste período se encerra o prazo de dois anos que os acionistas que vieram da Santelisa Vale teriam para optar em permanecer ou sair do capital social da empresa.

Na operação, a Biosev basicamente assumiu a dívida da SEV em troca da fatia majoritária. O endividamento total da companhia é de cerca de R$ 3 bilhões e suas usinas têm trabalhado com uma grande capacidade ociosa.

De uma capacidade instalada de 40 milhões de toneladas anuais, a moagem da última safra 2011/12 foi de apenas 29 milhões de toneladas, deixando uma ociosidade de 27,5%.

Segundo maior processador de cana-de-açúcar do Brasil, o grupo produz 2,5 milhões de toneladas de açúcar e 1,5 bilhão de litros de etanol em 13 usinas, além de 1 GW de energia elétrica gerada a partir do bagaço da cana. Procurada, a Louis Dreyfus Commodities informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não pode se manifestar sobre o tema.

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