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Bird reduz para 7,5% expectativa de crescimento da China

Se confirmado, este será o menor índice de expansão do país asiático em 18 anos, em razão do impacto da crise

Cláudia Trevisan, de O Estado de S. Paulo,

25 de novembro de 2008 | 05h42

O Banco Mundial (Bird) reduziu sua previsão de crescimento da China no próximo ano de 9,2% para 7,5%, em razão do impacto da crise global e da desaceleração da economia provocada por fatores domésticos. Se confirmado, este será o menor índice de expansão do país asiático em 18 anos.   Veja também: Bolsas asiáticas fecham em forte alta Bovespa sobe 9,4%, com notícias nos EUA e Reino Unido Dólar segue ânimo global nas bolsas e cai 5,52%, a R$ 2,328 Reino Unido lança novo pacote anticrise de US$ 30 bilhões EUA vão injetar US$ 20 bilhões para salvar o Citigroup De olho nos sintomas da crise econômica  Lições de 29 Como o mundo reage à crise  Dicionário da crise    "As recessões coordenadas nos Estados Unidos, Europa e Japão criam um cenário muito difícil para as economias emergentes, mas a China vai conseguir manter um crescimento saudável em 2009 graças ao pacote de estímulo anunciado pelo governo", afirmou na segunda-feira o chefe da missão do Banco Mundial na China, David Dollar, ao divulgar a revisão quadrimestral da entidade para a China. A previsão de aumento do PIB chinês em 2008 passou de 9,8% para 9,4%.   Apesar de classificar a expansão de "saudável", Dollar ressaltou que o menor ritmo de crescimento terá impacto direto sobre capacidade do país de criar novos empregos em 2009, um dos elementos centrais na obsessão dos dirigentes de Pequim com a estabilidade social.   O Banco Mundial não faz estimativas sobre cifras de desemprego na China, mas o economista-chefe da entidade, Louis Kuijs, previu queda na criação de novos empregos urbanos no próximo ano em relação a 2008.   Problemas sociais   Dollar observou ainda que pode haver "alguns problemas" sociais no campo caso um grande número de migrantes comece a retornar a suas vilas por não encontrarem emprego nas cidades.    A China tem cerca de 150 milhões de migrantes rurais, que deixaram de cultivar a terra nas últimas décadas para trabalhar na construção civil e nas indústrias de bens de consumo leve do Sul do país, com têxteis, calçados e brinquedos, que sofrem com a retração do mercado internacional.   O pacote de estímulo de US$ 586 bilhões anunciado pela China no dia 9 de novembro será crucial para garantir a expansão em 7,5% no próximo ano, mas a crise internacional terá forte impacto negativo sobre a economia do país no primeiro semestre, avalia Kuijs.   Se a situação global se estabilizar, as coisas começarão a melhorar na China a partir da metade do ano, quando o pacote começará a produzir efeitos. O Banco Mundial espera que os gastos do governo respondam por 4 pontos percentuais do crescimento do PIB no próximo ano, o que será 1,5 ponto percentual acima do registrado em 2007.   Saldo comercial   Com expansão doméstica e retração mundial, as importações chinesas deverão crescer 6,5% em 2009, acima da expansão de 3,5% prevista para as exportações. Em conseqüência desse movimento, o comércio exterior terá a primeira contribuição negativa para o PIB em muitos anos, estimada em -1 ponto percentual pelo Banco Mundial.   Apesar do maior crescimento das importações, a China continuará a ter superávits comerciais em razão da queda nos preços das commodities. A previsão da entidade é que o resultado das transações totais da China com o restante do mundo passe de US$ 386 bilhões para US$ 427 bilhões. Apesar do aumento em números absolutos, o superávit em conta corrente cairá de 9,3% para 8,9% do PIB, que deverá ter expansão de 7,5%.   O aumento do superávit alimentará o enorme volume de reservas internacionais da China, que deverão fechar 2008 em US$ 2,045 trilhões e chegar ao fim de 2009 em US$ 2,547 trilhões, uma alta de US$ 502 bilhões, valor que representa mais que o dobro do total de reservas detidas pelo Brasil.   Commodities   Na avaliação do Banco Mundial, a redução no preço das commodities será outro fator de estímulo ao crescimento chinês, na medida em que diminuirá os custos das empresas e a pressão inflacionária _um dos maiores problemas de 2008.   Kuijs ressaltou que o planejamento do governo chinês para 2009 ainda não está concluído e que novas medidas devem ser anunciadas até o mês de março. O economista acredita que elas serão voltadas à mudança da estrutura econômica do país, com estímulo ao consumo e ao setor de serviços.

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