BIS alerta para desaceleração severa na economia global

A economia global pode estar perto de "um ponto de virada", que pode fazer com que entre em uma desaceleração tão severa, que transforme o atual período de inflação crescente em um de preços em queda, afirmou hoje o Banco para Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês). Em seu relatório anual, o banco central dos bancos centrais disse que o impacto dos preços crescentes de alimentos e energia sobre a renda real disponível, combinado à habilidade reduzida das instituições financeiras em fazer empréstimos e aos níveis de dívida das famílias podem levar a uma desaceleração no crescimento global, que "pode se mostrar bem maior e duradoura do que o necessário para manter a inflação sob controle". "Com o tempo, isso potencialmente pode levar à deflação", acrescentou o BIS.O BIS afirmou que, na primeira parte desta década, os bancos centrais falharam em determinar taxas de juro elevadas o suficiente para restringir o insustentável crescimento de crédito. O BIS acrescentou que, para evitar uma repetição da atual crise financeira no futuro, os bancos centrais precisam se preparar para manter os juros elevados mesmo quando não houver sinais óbvios de que a inflação está prestes a subir.Mas o BIS considera a escorregada para a deflação um cenário improvável e, no momento, a inflação crescente é um perigo mais iminente que uma desaceleração severa. "Essas ameaças diferem em sua imediação, dado que a inflação está de fato subindo, enquanto o crescimento significativamente mais baixo ainda é uma possibilidade em muitas partes do mundo".Diante disso, o BIS instou muitos bancos centrais a subirem suas taxas de juro. "Com a inflação como uma ameaça clara e presente, e as taxas de juro reais em muitos países muito baixas em padrões históricos, um viés global para um aperto monetário parece apropriado", disse o BIS. EmergentesO BIS afirmou também que as previsões de crescimento para as economias emergentes são robustas, mas a previsão de deterioração nas economias avançadas pode ser "um grande desafio". Em artigo no seu relatório anual, o BIS disse que há riscos de que as exportações dos mercados emergentes enfraqueçam, restringindo, em troca, a habilidade desses países de impulsionar a demanda doméstica. Essas nações com elevados déficits em conta corrente (saldo de todas as transações de um país com o exterior) e dívida de curto prazo, ou fortemente dependentes de financiamento bancário externo, também podem estar vulneráveis a uma reversão no fluxo de capital."Uma desaceleração pronunciada nos Estados Unidos prejudicaria os emergentes, que, embora estejam notadamente resistentes até o momento, ainda dependem significativamente da demanda externa", disse o BIS. O BIS afirmou que, comparado à desaceleração dos EUA em 2001, quando os emergentes foram duramente atingidos, desta vez eles estão relativamente bem posicionados para passar por uma desaceleração na maior economia mundial. Porém, as exportações para os EUA continuam importantes para as economias emergentes, observou o BIS. É o destino de 20% das exportações chinesas e uma desaceleração nos EUA não apenas prejudicaria a demanda direta por produtos chineses, como teria impacto em outros emergentes que exportam bens intermediários e matérias-primas (commodities) para a China.InflaçãoAs altas taxas de inflação podem não diminuir em 2009, como esperado, e os bancos centrais precisam ser mais vigilantes para impedir que as expectativas de inflação das pessoas subam, disse o gerente geral do BIS, Malcolm Knight. "No momento, muitos analistas acreditam que o recente aumento na inflação nos países industriais representa um salto temporário e que, baseado nas atuais expectativas de como a política monetária irá reagir, a inflação irá cair em 2009. Mas não podemos estar totalmente confiantes disso", afirmou.Há um "perigo claro e presente de aumento da inflação global e das expectativas de inflação", alertou ele, acrescentando que "os bancos centrais precisam ser particularmente vigilantes para manter as expectativas de inflação sob controle". As informações são da Dow Jones.

NATHÁLIA FERREIRA, Agencia Estado

30 de junho de 2008 | 09h12

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